Reese Whiterspoon é cortejada por dois cafuçus espiões em comédia de ação toda trabalhada no óbvio

Por Paulo Floro

Em Guerra é Guerra, dois cafuçus agentes da CIA, Chris Pine e Tom Hardy brigam pela mesma mulher, Reese Whiterspoon, queridinha das comédias americanas desde Legalmente Loira. Ela é Lauren,uma engenheira de testes de produtos, mito da mulher moderna, independente, leitora de Nova. O trio de atores encontram-se perdidos na armadilha que é essa comédia de ação, lotada de ideias bem gastas e chavões sobre conquistas amorosas.

Atolada no trabalho, Lauren quer se dar bem no amor. Para isso, com ajuda da amiga Trish (Chelsea Handler) acaba entrando em um site de encontros. Lá ela conhece Tuck (Hardy), britânico que – 1º clichê – é sensível e meio “esquisito”. Em seguida, em uma locadora ela esbarra com FDR (Pine), um machista padrão, autosuficiente, cujo maior prazer é se autovangloriar. Parceiros de trabalho e amigos insaparáveis, o “bromance” dos dois chega ao fim quando se apaixonam por ela.

No meio disso, há uma subtrama que envolve um vilão russo, interpretado pelo alemão Til Schweiger. Aí o filme segue numa escalada de eventos cheio de cenas de ação, sem se aprofundar em nada. Tudo é resolvido rapidamente, sem tempo para um aprofundamento que crie laços com a plateia. Para explicar o envolvimento amoroso de Reese com cada um dos pretendentes, é usado o recurso do clipe-resumo, em que diversos eventos são mixados em uma única cena, geralmente com uma música de trilha.

O diretor McG, que fez os dois filmes de As Panteras, recorre à todos os clichês disponíveis como forma de arriscar o mínimo possível. Por isso, ninguém pode alegar que existe despretensão em Guerra é Guerra, ou mesmo um roteiro que se baseie em conceitos ingênuos. Pelo contrário: o diretor parece ter uma ideia bem clara que existe um público fiel para este tipo de filme: muita ação, pouca trama, cenas óbvias. Mas, ele parece ter errado a mão, já que o filme não tem momentos inspirados de comédia, muito menos de ação.

Ao procurar algo de bom em um filme tão descartável como este, podemos pensar em quanto é divertido ver Hardy em uma comédia, já que o ator é mais conhecido por seu trabalho com Christopher Nolan ou em longas como O Espião Que Sabia Demais. Ainda temos Reese Whiterspoon, sempre à vontade em comédias. Ou, por fim, as cenas mais sexies (pouquíssimas, é bom avisar) com o trio.

Mas, esforçar-se tanto para gostar de um filme nunca é um bom sinal.

GUERRA É GUERRA
McG
[This Means War, EUA, 2012]
Fox

Nota: 3,6

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