UM REINO PARA CORAÇÕES FORTES
Épico sangrento, segunda temporada de Game Of Thrones segura audiência com carisma dos personagens

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

Foi preciso de uma liberdade criativa e muita flexibilidade para levar uma obra como Game Of Thrones para as maiores audiências da TV. Baseado nos livros de George R. R. Martin, que também atua na produção. Em apenas 10 episódios foi possível ver uma bem cuidada trama que foi de encontro aos parâmetros encontrados hoje em outros seriados: afinal, quem mataria um protagonista no final de uma temporada? E o que dizer do engarrafamento de personagens que não param de aparecer. Além da estrutura e do alto orçamento que dispõe, a série deve seu sucesso ao time de atores, que conseguiram criar empatias com o público na intricada intriga que é a base de toda a história. O derradeiro final desta segunda temporada acontece neste domingo, na HBO.

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Finalmente, veremos o desenrolar da investida de Stannis Baratheon (Stephen Dillane) contra King’s Landing defendida pelos Lannisters. Mas, este último capítulo deve fincar mais pontas para a continuação ano que vem do que resoluções. Leitores dos livros sabem que ainda há muito a ser trabalhado e mais personagens devem surgir. Essa intrincada trama requeriu um roteiro muito coeso, para levar para a TV uma adaptação que fosse fiel à obra ao mesmo tempo que tivesse apelo para um grande público.

Sem economizar nas cenas de sexo e batalhas bem orquestradas, a trama atingiu um público além dos aficcionados pelo livro. Com locações na Islândia, Irlanda e Croácia, cada episódio custou cerca de 6 milhões de dólares. A exceção foi o episódio “Blackwater”, o penúltimo, exibido na última semana. Segundo o criador da série disse ao E! Online, foi preciso bater na porta do canal pedir mais dinheiro. Foi um capítulo totalmente focado na batalha de Blackwater, uma orquestra violenta com destruição de navios, lutas em terra, muito sangue, intrigas dos nobres dentro dos muros da cidade e até um incêndio verde provocado pelo misterioso “fogo vivo”.

O episódio foi o clímax desta temporada, que é focada na disputa pelo Trono de Ferro, ocupado pelo filho bastardo do rei Robert, o mala Joffrey Baratheon. Diversas forças, entre elas a mãe dos Dragões, Daenerys Targaryen (Emilia Clark) e o rei do Norte, Robb Stark (Richard Madden), se encaminham para King’s Landing. Em paralelo, outro bastardo Jon Snow atravessa a Muralha para combater um suposto exército selvagem que ameaça o reino. Já a filha do antigo Mão do Rei, Ned Stark, Arya, planeja sua fuga enquanto se disfarça de camareira entre os inimigos de sua família. A direção foi grande destaque ao unir todas essas linhas narrativas, e por conseguir explorar as reviravoltas na trama. Com isso, a cada episódio, o clima de tensão era mantido.

Maior épico de fantasia já feito nos últimos anos – na TV e no cinema – Game Of Thrones chama atenção pelo nível de dramaticidade ambicionada. Neste sentido, consegue ficar equiparada a sucessos como Boardwalk Empire, Mad Men e Homeland. Seguindo a receita de grandiosidade dos cenários e figurinos, violência sem cortes e boa interpretação e roteiro, uma terceira temporada já está preparada para o ano que vem.

GAME OF THRONES – SEGUNDA TEMPORADA
David Benioff, D.B. Weiss (criadores)
Com Lena Headey, Peter Dinklage, Maisie Williams
[Exibido na HBO, 10 episódios, EUA/ING, 2012]

Nota: 9,4

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