Foto: Divulgação.

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traz retrato superficial pró-guerra ao terror

Hollywood viveu um período prolífico de crítica ao envolvimento dos EUA nos conflitos do Oriente Médio e o desastroso processo de “paz” conduzido pelo Ocidente, bem como a luta contra o terrorismo. Longas como A Hora Mais Escura e Zona Verde são apenas alguns exemplos. Agora, o novo filme de Sniper Americano quer explorar um novo lado, mais patriótico e pró-guerra ao terror. Mais: quer mostrar o lado mais humano do combatente americano.

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Não se trata mais de uma crítica às instituições, mas de um olhar humano sobre o americano que abandona seu mundo por uma luta “por liberdade”. Defensor convicto da presença norte-americana em países como Iraque e Afeganistão, Eastwood dirige com passionalidade este seu filme de guerra moderno. Diretor de ótimos longas como A Batalha de Iwo Jima, ele agora quer mostrar que não existe uma dicotomia de dois lados distintos no campo de batalha. Nos conflitos atuais, os valores humanos e moralidade é que estão se enfrentando.

É uma leitura bem frágil e não dá conta da complexidade presente nos conflitos no Oriente Médio. O longa mostra história real do atirador de elite Chris Kyle (, indicado ao Oscar), que matou cerca de 150 pessoas durante dez anos, tendo recebido diversas condecorações por isso. Ele sofre de problemas domésticos por não conseguir se desconectar do estresse vivido no campo de batalha. Isso acaba abalando seu casamento.

Depois de expor toda a hipocrisia da “guerra ao terror” e dos males causados tanto nos combatentes quanto no cotidiano das regiões atingidas, Eastwood segue uma linha rasteira e bem oposta ao que fez Kathryn Bigelow, que teve uma narrativa mais corajosa nos seus longas. Aqui, o diretor mostra o Iraque através da mira de um rifle. Cooper mostra uma entrega ao papel e tenta trazer profundidade às questões morais que envolvem o trabalho do atirador, como matar uma criança caso necessário durante uma missão.

Ao querer soar menos político e mais humano, Eastwood tirou a complexidade do personagem em uma visão unidimensional. Ele defende seu ponto de vista da importância americana em solo oriental com um excesso de melodrama, como se tentasse comprar a aceitação de sua audiência com sentimentos. Com isso, seu longa resultou em uma peça embalada de superficialidade com fundo moralista. Tivesse tido mais coragem e menos condescendência com o tema, teria sido um contraponto e tanto aos filmes críticos aos EUA já realizados. [Paulo Floro]

sniperSNIPER AMERICANO
De Clint Eastwood
[American Sniper, EUA, 2015 / Warner]
Com Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes

6,5

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