Foto: Divulgação.

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traz narrativa calculada para jornada espiritual

tinha conquistado moral entre seus pares e críticos especializados com o ótimo C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (2005), que tratava da descoberta da sexualidade com bom humor e era recheado de tipos esquisitos. O diretor canadense decidiu aproveitar o prestígio e partiu para produções independentes “de requinte”, financiada por braços das majors voltadas para filmes sem muito apelo comercial. A estratégia de guinada na carreira deu certo e ele ganhou respeito da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA com Clube de Compras Dallas, uma narrativa ativista sobre a luta contra a doença no início da epidemia dos anos 1980. Em Livre, que estreou no final de janeiro, ele reforça seu interesse em criar filmes milimetricamente pensados para vencer a correnteza de competição que é a temporada de prêmios de . E conseguiu: a protagonista (que também produz) recebeu sua indicação de melhor atriz, ao lado de , como melhor atriz coadjuvante.

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Witherspoon ganha aqui sua segunda indicação novamente interpretando uma personagem real (ela venceu em 2008 por June em Johnny & June). Ela é Cheryl Strayed, uma mulher que decidiu atravessar sozinha a trilha Pacific Crest Trail, de 4.200 km da fronteira do México até a fronteira do Canadá. Depois de perder a mãe e o marido e se arruinar com o vício em heroína, esta foi sua forma de expurgar o passado através de uma busca por autoconhecimento.

O filme é contado em formato de flashbacks como se estivéssemos dentro do consciente da personagem, mas conforme se avança somos afastados da narrativa por causa do excesso de produção. A despeito de seu tema, Livre tem uma proposta bastante literal em vez de poética, o que diminui sua proposta de retratar uma jornada de reinvenção e redenção pessoal. O roteiro do escritor Nick Hornby e da própria Cheryl Strayed é bem construído e traz um argumento que perpassa pressões sociais vividas pela mulher. Neste momento a personagem de Dern cresce e é uma pena vê-la apenas em breves momentos de flashback. Mas apesar dessas boas ideias, tudo é muito calculado, seguindo diversas convenções dramáticas, como closes, música orquestrada em momentos chave, narrativa em off, entre outros.

LIVRE
De Jean-Marc Vallée
[Wild, EUA, 2015 / Fox Filmes]
Com Reese Witherspoon, Gaby Hoffmann, Laura Dern

6,5

Laura Dern é uma das melhores coisas do filme. (Divulgação).

Laura Dern é uma das melhores coisas do filme. (Divulgação).

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