ESTÓRIAS GERAIS TEM PESO DE CLÁSSICO NO QUADRINHO NACIONAL

ESTÓRIAS GERAIS
Wellington Srbek (texto), Flavio Colin (arte)
[Conrad, 152 págs, R$ 24,00]

Estórias Gerais Algumas obras já nasceram clássicas. Os quadrinhos, uma mídia antiga, mas com reconhecimento recente, só agora resgata seus clássicos. Estórias Gerais, de Wellington Srbek e Flávio Colin foi lançado originalmente em 2001, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo de Minas Gerais e estava esgotada há alguns anos, após ser publicada no exterior, pela editora Editions du Ponent, com o título Tierra de Historias, em 2006.

O álbum ganhou dois prêmios HQ Mix e dois troféus Angelo Agostini e é reconhecido como uma das mais importantes obras dos quadrinhos nacionais. A estética do livro impressiona desde a capa e a gramatura do papel até o roteiro, bem construído e baseado em pesquisas de linguagem e ambientização.

A pequena cidade de Buritizal, à margem do rio São Francisco, na década de 1920, recebe a visita de um jornalista com a missão de apurar a história do cangaceiro Antonio Mortalma, que costumava aterrorizar o povo do vilarejo. Cético quanto à crendice dos populares que acreditavam ser Mortalha um demônio (ou ao menos ter um pacto com o coisa-ruim), o personagem aos poucos é surpreendido pelas próprias descobertas. Seu guia, um jagunço disfarçado, logo o coloca cara a cara com Mortalma, num rincão no meio do nada. E então que sua visão sobre os moradores do local começa a sofrer uma tremenda mudança a cada personagem que aparece na trama.

A obra se assume como clássico por fazer eco aos grandes nomes da literatura que desbravaram o tema, entre eles Graciliano Ramos, a mais evidente influência. Srbek é um dos mais maduros roteiristas brasileiros. Este relançamento resgata o valor de sua escrita, assim como a arte de Colin, ainda pouco reconhecida no país.

O peso de uma obra como essa deveria fomentar o trabalho de outros autores para fazer outros clássicos como esse. [Paulo Floro]

NOTA: 9,0

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