Crítica-Disco: Tinashe retorna com a personalidade tolhida no comedido Joyride
NOTA6

Quando surgiu com Aquarius, em 2013, Tinashe parecia ser mais um nome a adentrar o interessante grupo de artistas inovadores do R&B. Quatro anos depois, Joyride chega cercado de expectativas, pressões de executivos de sua gravadora e certo tolhimento de ideias que parecem falhar quando próximas de um alto voo. Como se sua personalidade fosse freada.

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O longo tempo de espera e diversas promessas, que frustraram seus fãs por tanto tempo, não foi bem recompensado aqui. O disco parece ser construído para se encaixar em playlists do tipo “faixas da semana”, em paradas de sucesso, soando em sua maioria, bastante unidimensionais. Não há nenhuma inovação da cantora que nos entregou faixas como “2 On”, carregada de energia e tensão sexual. “Faded Love”, desse novo disco, é a que melhor representa o bom momento do R&B atual e traz a cantora canalizando sexualidade em variações vocais criativas. Há diversas participações especiais, como Ty Dolla $ign , Future e Little Dragon, sendo esta última, “Stuck With Me”, uma das mais interessantes por se permitir experimentar na interação do vocal em diferentes entonações.

De resto temos um álbum que emula estratégias manjadas da indústria da música pop mainstream, com suas viradas óbvias de tempo, batidas repetitivas e pouca ousadia sonora. É um desses casos em que vemos uma artista com potencial vocal poderoso, carisma e apetite pelo sucesso ser sufocada por um produção comedida, super-receosa e com uma necessidade de se encaixar dentro de um padrão.

Ainda esperamos um trabalho em que Tinashe possa explorar seu lado inovador, a exemplo do vislumbre que tivemos em seu trabalho de estreia, anos atrás.

TINASHE
Joyride
[RCA/Sony, 2018]
Produzido por Mario Luciano, J. White, Joel Compass, Tinashe, entre outros.

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