Com apenas 25 anos, a compositora e cantora britânica Lianne La Havas já é um dos nomes mais promissores do soul/jazz – ou neo soul como muitos gostam de chamar. É neste seu segundo disco, Blood, em que ela assegura um domínio do gênero como poucos em sua geração. A segurança que ela demonstra para trafegar entre o intimista e o celebratório.

Em Blood, como indica o título, Lianne foi buscar referências em suas raízes gregas e jamaicanas para compor o disco. Na Jamaica ela conheceu o produtor Stephen McGregor, que introduziu elementos de reggae a ajudou a buscar inspiração nas raízes, tudo sem perder o apelo pop, como mostra a ótima “What You Don’t Do”. Blood tem uma atmosfera agradável de alguém que amadureceu e se reencontrou com seu passado. E a voz de Lianne é uma das mais poderosas hoje no cenário pop.

O que a impede de alcançar voos maiores é o baixo risco que corre em suas composições. Com exceções como “Grow” e “Green & Gold”, as letras e arranjos das faixas apelam para o lado viciante das batidas, o que é bem pouco para tornar um álbum memorável ao passar dos anos. Ainda que tudo esteja agradável ao ponto certo, é necessário uma insurgência maior de sua personalidade. Lianne não consegue alcançar um nível mais profundo de sentimentos em suas letras, grande parte fixada em descrições e generalizações.

Blood é um exemplo competente de uma artista que consegue dar ao pop a beleza do jazz e soul, ainda que com pouca complexidade destes últimos. Deixe-se seduzir pela ótima “Unstoppable” para seguir acreditando na cantora.

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