Crítica - Disco: Larissa Luz e o poder do feminismo negro em Território Conquistado
NOTA7.5

“Procuram-se bonecas pretas / Procuram-se representação” canta Larissa Luz no seu novo disco Território Conquistado. E essa conquista, que necessita de vigilância constante, se faz com muita luta. É o recado dado neste trabalho marcado por letras cheias de empoderamento e um feminismo negro. Mistura de rock, batuques afro e batidas eletrônicas, o trabalho é um potente manifesto e também uma saída da zona de conforto da música pop brasileira.

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Com produção de Pedro Itan, Pedro Tie e Jr Tostoi (que trabalha com Lenine), o disco traz participações de nomes como Elza Soares, Thalma de Freitas e Manuela Rodrigues. O melhor do Território Conquistado é que o seu ativismo não surge aqui como verniz e sim como alicerce das composições. As letras chegam para legitimar o discurso de empoderamento através da música. Fica clara a intenção de fazer do disco um instrumento transformador. “Liberdade é não ter medo”, diz Larissa. O trabalho cita ainda nomes importantes entre as vozes negras, como a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, além de poeta baiana Lívia Natália.

Apostando em diversas vertentes, do rap ao dubstep, o disco não se torna monótono em nenhum momento. Além disso Larissa caprichou na interpretação adaptada às letras e batidas das faixas. Com Território Conquistado, Larissa Luz cria um poderoso disco-manifesto e se firma como uma dos mais criativos nomes da renovação atual da nossa música popular.

Baixe o disco no NaturaMusical.

Foto: Camilo Lobo/Divulgação.

Foto: Camilo Lobo/Divulgação.

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