Crítica-Disco: Black Rebel Motorcycle Club chega sem novidades, mas ainda fiel ao rock pesado e sombrio
NOTA6.5

BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB
Wrong Creatures [Vagrant Records, 2018]
Produzido pela banda e por Nick Launay

Para os fãs do Black Rebel Motorcycle Club, que há anos esperam por um retorno do grupo, esse Wrong Creatures é uma boa notícia. Um disco capaz de recuperar o melhor que o grupo já ofereceu desde que surgiram dentro do chamado “novo rock” na virada dos anos 2000, ao lado de nomes como The Rapture, The Yeah Yeah Yeahs, The Strokes, The Vines e tantos outros. O que eles canalizavam: a essência do noise rock, com uma guitarra que remetia ao blues e uma voz sombria com ares de Nick Cave, John Cale e Lou Reed. Desde Howl (2005) não tínhamos um trabalho à altura do BRMC. O auge da criatividade da banda veio com Take Them On, On Your Own (2003), onde fizeram um álbum pop, acessível, mas ao mesmo tempo contundente, inspirado no melhor do rock alternativo dos anos 1970.

O percurso da banda ao longo dos anos apresentou desgaste e eles nunca conseguiu retomar esse ápice dos anos 00. Eis que Wrong Creatures se aproxima da essência da proposta que querem apresentar ao rock. Lidando com temas fatídicos como morte e destruição, o disco trafega no lado mais sombrio do rock, trazendo letras com um fatalismo bastante presente, caso de “Haunt” e “Question of Faith”.

Mas, em vez de trabalhar com cinismo, o grupo traz questionamentos a esses sentimentos, o que confere certa graça ao rock sorumbático da banda. Agora, quem busca algum frescor no rock ou mesmo alguma novidade que traga alguma audição surpreendente vai se decepcionar com Wrong Creatures. É um disco com mais do mesmo, o mesmo toque vintage das guitarras para emular nomes como Velvet Underground, The Jesus and Mary Chain, etc. Até mesmo a pose meio rebelde do início dos anos 2000 se foi. Ainda que o grupo se apegue ao estilo que escolheram, o que é fantástico, não há aqui nenhuma mostra de que foram adiante.

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