Primeiras tiras de Calvin e Haroldo já mostravam genialidade de Waterson em retratar a infância


Tira de estréia de Calvin & Haroldo, publicada nos EUA em 18 de Novembro de 1985

CALVIN E HAROLDO – E FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU
Bill Waterson (texto e arte)
[Conrad, 128 págs, R$ 29,90]

O álbum não é inédito no Brasil já que foi publicado pela editora Cedibra em 1987, mas estava fora de catálogo. E Foi Assim Que Tudo Começou, livro que compila as primeiras tiras de Calvin e Haroldo começou a ser vendido semana passada nas livrarias de todo do país.

O álbum faz parte da estratégia da editora Conrad em relançar toda a obra de Bill Waterson em 14 edições Nessas primeiras tiras, mostra-se um personagem ainda cheio de arestas soltas, que seriam mais bem trabalhadas no futuro. A genialidade das histórias, contudo, já se anunciava desde o primeiro balão. Publicadas entre 1985 e 1986, este lançamento marca o início cronológico da coleção completa no Brasil, já que o álbum anterior, O Mundo é Mágico se tratava do último trabalho de Waterson com Calvin e seu tigre de pelúcia. A Conrad pretende lançar dois volumes por ano.

Neste álbum, a relação de Calvin com seus pais ainda é destaque na maioria das tiras. No futuro o autor iria explorar com mais afinco a relação do garoto com seu próprio universo. O afinco com que retrata a infância, época tão difícil de ser compreendida pelos adultos é marca registrada da série e causa um estranhamento saudosista e comovente no leitor. Traduzidas como ingenuidade, podemos encontrar interessantes análises sobre cultura, sociedade e comportamento nos quadrinhos.

Perdido em seu próprio mundo, Calvin e Haroldo vivem num universo onde monstros se escondem embaixo da cama, professores são monstros (será coincidência o nome Sra Wormwood?) e o astronauta Spiff é capturado por alienígenas famintos.

Criada em 1985, a tira foi publicada diariamente, durante dez anos, em mais de 2.400 jornais ao redor do mundo. Os álbuns publicados por Bill Watterson, criador da dupla, venderam mais de 30 milhões de cópias e consagraram o garoto hiperativo e seu tigre. A edição da Conrad – bem como sua idéia em relançar toda a obra – é impecável no cuidado e no tratamento que uma obra dessa importância merece. [Paulo Floro]

NOTA: 9,5

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