ATENÇÃO QUE CAETANO QUER DAR UM ABRAÇAÇO
Músico segue arejando sua própria discografia e mostra que ainda tem muito a dizer

Por Rafael Curtis

Caetano Veloso segue com sua proposta de criar trabalhos sintonizados com o indie ao lado de sua banda Cê – que rendeu os dois álbuns anteriores, o homônimo e Zii e Zie. Abraçaço mostra o esforço do baiano em experimentar dentro dos gêneros mais em voga, modismos, mas, o que chama atenção mesmo é seu tom irônico para tratar do funk e outros assuntos.

Caetano quer mostrar sua já conhecida verborragia nos mais diversos assuntos. Desde a primeira música, a esdrúxula “A Bossa Nova é Foda”, em que se permite ser abusado e sarcástico, ele cita lutadores de MMA, samba de roda, Rio de Janeiro. Um tom de tudo, como ele mesmo diz, numa sequência de palavras que não faz muito sentido além da vontade do autor em mostrar-se á vontade com os temas citados. É assim o disco todo.

Artista que lançou quase 50 discos e tem sua importância reconhecida na música brasileira, Caetano parece querer mostrar que ainda lhe cabe alguma ousadia com faixas como “Funk Melódico”, em que ele tenta rimar como todo bom funkeiro. Dessa faixa sai uma frase solta que entra para coleção de seus aforismos, “o ciúme é só o estrume do amor”. O tun-tun-tu-cu-tá, tirado da forma mais primitiva do gênero encontra as guitarras agudas de sua banda.

O disco ainda pede licença para que Caetano declame simples e puramente, caso de “Um Comunista”, faixa arrastada numa única toada cujo destaque é mesmo sua letra. Aqui o cantor faz um remix de suas ligações com movimentos políticos, tropicália e história do Brasil. Da fase pré-Cê, “Quando O Galo Cantou” é a que mais se aproxima do cancioneiro tradicional de CV. A ousadia retorna em “Parabéns”, dos versos “tudo mega-bom, giga-bom, tera-bom”.

O disco é experimental dentro da discografia de Caetano, mas não se faz de rogado em ser pop, com os possíveis hits do futuro, “Um Abraçaço” (o neologismo de 2012), “Estou Triste” e “O Império da Lei”. Abraçaço encerra a trilogia que dá uma arejada na obra do músico, responsável por clássicos como Transa. Caetano ainda tem muito a falar.

CAETANO VELOSO
Abraçaço
[Universal, 2012]
[Recomendado]

Nota: 8,6

Foto de Fernando Young

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