UM DISPARO AQUI, OUTRO ALI
Battleship é babação ao militarismo falido dos EUA e tem roteiro vazio baseado apenas nos efeitos especiais

Por Paulo Floro

Existe um desejo forte em Battleship – A Batalha dos Mares, que estreia em todo o Brasil nesta sexta, de enaltecer aquilo que filmes recentes tentaram problematizar: quando o assunto é defender o povo e atacar o inimigo, ninguém é mais durão que os militares americanos. E o inimigo neste caso são alienígenas que invadiram a Terra tramando – é claro! – uma aniquilação do planeta. São tantos clichês de filmes de ação e alegorias da superioridade dos EUA que nem os efeitos especiais salvam o longa.

Veja o roteiro de cinema desta semana

Inspirado no famoso jogo Batalha Naval, da Hasbro, Battleship era uma das estreias mais aguardadas do ano entre os blockbusters. De fato, sua grandiosidade impressiona e agrada durante algum tempo. Os efeitos especiais conseguiram ideias interessantes para entreter uma plateia já escolada em filmes cheios de pirotecnia, e o design dos aliens, naves e armas impressionam o fã de ficção-científica. Mas, a história é tão vazia e óbvia que não exigem o mínimo de comprometimento com que assiste.

A estrela é Taylor Kistch, ator revelado em John Carter. Rebelde, inconsequente, ele é alistado na Marinha pelo seu irmão, um militar responsável e centrado interpretado por Alexsander Skarsgard (de True Blood). Tem ainda como brinde a cantora Rihanna, que tem um papel totalmente inexpressivo, assim como a maioria dos coadjuvantes. Logo em seguida, entra uma massagem de ego no militarismo americano (atualmente em crise com suas operações pelo mundo, diga-se). O roteiro enaltece tanto que ganha até um tom motivacional perto do fim. Um antigo encouraçado vai partir pra briga com a esquadra alien contando em sua maioria com militares veteranos, ja idosos.

Mais do que sua idealização boba dos militares americanos que cuidam do mundo, Battleship incomoda mais por ser vazio. É um típico fast-food, aquele sanduíche sabor vento em que nos esquecemos do sabor segundos depois de comer. Não há nada mais em sua trama do que aliens vs marinheiros ianques durante quase uma hora e meia. Sem falar nas incoerências, nas falhas da trama, que todo mundo na sala de cinema dá aquele desconto para não comprometer a diversão (a real é que ninguém teria chances para os aliens). O longa pelo menos foi fiel ao jogo que se inspirou. Traz aquela mecânica arrastada: Um lado atira, o outro revida. Em uma jogada, um navio é derrubado, na seguinte, erra-se o alvo. A diferença é que na telona o jogo não é tão divertido quanto no tabuleiro.

BATTLESHIP – A BATALHA DOS MARES
Peter Berg
[Battleship, EUA, 2012]
Universal

Nota: 3,8

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