Um filme para homem nenhum botar defeito
Por Lidianne Andrade

CORRIDA MORTAL
Paul W.S. Anderson
[Death Race, EUA, 2008]

Se você é chegado em pensar pouco e ver duas paixões masculinas jutas, mulheres gostosas e carros, chegou aos cinemas uma boa opção do fim de semana. Carros batendo, tiros, mortes com closes minimalistas… tudo isso reunido em 105 minutos e de brinde uma boa dose de brigas gratuitas em Corrida Mortal, para nenhum fã de cinema trash botar defeito.

Baseado em Death Race 2000, de 1975 por Paul Bartel, o longa conta a história do operário Jason Statham, trabalhador inocente que tem sua mulher morta para ser incriminado e ir parar na prisão da diretora mercenária Hennessey (Joan Allen). Vale lembrar que as personagens estão no ano de 2012, onde as prisões foram privatizadas e a diretora usa seus carcerários como atração de um programa televisionado de corridas de carro, o Corrida Mortal, divida em três estágios: nos dois primeiros os prisioneiros só precisam sobreviver(parece impossível!) para no terceiro ganhar e acumular vitórias, pois na terceira ganham a liberdade. Uma solução irônica para ganhar dinheiro com os presidiários, já que para assistir a corrida precisa pagar pelo pacote na TV por assinatura de mais de 250 câmeras ao vivo, e, de quebra, desafogar o sistema prisional. Um Velozes e Furiosos na cadeira, diga-se se passagem.

O ator Jason Statham vive o Frankenstein, corredor mascarado conhecido pela destreza ao volante que pode ser assumido por qualquer um, pois usa máscara em público (por isso incriminar o pobre pai de família e usar sua filha como chantagem). Jason, verdade seja dita, já é conhecido no cinema trash por Carga Explosiva e Adrenalina, mas nada superável a Corrida Mortal. Com voz rouca entre sexy e falta de expressão, tenta aparentar com esforço desnecessário um cara bom na pele de um homem formado pelas circunstâncias, mas tudo fica pela metade e nenhuma personalidade é firmada que não seja pelas falas, reflexivas ao ponto de prever-se o que os atores vão falar antes mesmo deles abrirem a boca.

Se a perda da mãe por um lindo bebê indo parar na adoção, surras na prisão por guardar, negros, índios, alemães, pardos e feios, mortes toscas e os carros que atiram como loucos uns nos outros não atraírem alguém, o público masculino ganha mais um atrativo aos 30 minutos de exibição: a chegada das acompanhantes de corrida. Prisioneiras gostosonas ao som de “I´m so sexy…” com câmera lenta e seios saltitantes, garantindo atenção total na cadeira pelos marmanjos por pelo menos 10 minutos.

Bons os filmes em que o cinéfilo ganhava um desafio: descobrir o paço seguinte. Corrida Mortal é didático ao exagero. A diretora malvada com um babaca ao lado a quem explica todos os seus planos (falar sozinho com o espelho é tática de novela mesmo), lembranças com flashback constantes, música lentas para chorar e animadas para atiçar, enfim, não adianta dizer o resto porque os clichês baratos e que nem sempre funcionam. O longa traz uma ordenação infinda que subestima a capacidade do espectador de entender algo por si próprio (ajudante nerd, mecânico latino, equipes divididas entre negros, orientais e russos, e por aí vai).

A aparência com um jogo de videogame (mais especificamente Mario Kart, só não podia pegar “vidas”) pode ser atribuída ao felling do diretor Paul W. S. Anderson por seus sucessos anteriores em adaptações para o cinema como Mortal Kombat e Residente Evil. Mas, na verdade, Corrida Mortal é o que mais se parece com um videogame, com direito a vinhetas de vencedor e closes na morte dos personagens que mais lembram que lembras as trocas de nível de um jogo. Como curiosidade, o ator David Carradine que gravou a primeira versão no papel que é hoje de Stathan aparece no novo filme, na primeira seqüência como o corredor Frankenstein.

NOTA: 1,0


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