Novo filme com o astro LaBeouf não abre mão do roteiro ágil e fácil
Por Lidianne Andrade

CONTROLE ABSOLUTO
D.J. Caruso
[Eagle Eye, EUA, 2008]

Com suposições sobre a criação de discernimento próprio de uma máquina com inteligência artificial perfeita, estreou no último fim de semana nas salas brasileiras Controle Absoluto, com direção de D.J. Caruso. O título original refere-se ao nome da máquina criada pela inteligência dos Estados Unidos para vigiar seus cidadãos através de qualquer objeto eletrônico ligado à  rede para cassar perfis de terroristas e eliminá-los. Um sistema aparentemente perfeito até criar vida própria e destruir um funcionário que manipulava a máquina. O irmão gêmeo do morto, menos inteligente e não militar, Jerry Shaw (Shia LaBeouf), acaba sendo convocado pela terrorista virtual, ao lado da mãe solteira Rachel Holloman (Michelle Monaghan de Missão: Impossível 3) para destruir possíveis inimigos do governo, segundo a análise de máquina.

A idéia claramente não é nova nas telas. Um computador capaz de pensar sozinho já foi tema até de episódio do extinto Arquivo X, lá da primeira temporada (1992). Indo pelo lado bizarro, já teve filme de terror com um elevador inteligente, O Elevador da Morte (no Brasil apenas em DVD). Sem falar de 2001 – Uma Odisséa no Espaço, de Stanley Kubrick, mas aí a comparação é injusta. Olhando por esse ponto, é muita ousadia de Caruso tentar uma nova roupagem para uma temática usada e abusada na sétima arte. Pena que ousadia não é sinônimo de sucesso.

Como todo bom filme de suspense, a revelação da autonomia de uma memória de computador para manipulação dos personagens fica tão previsível a ponto de angustiar ao prolongar sua destruição. Em suma, 117 minutos é muito tempo para uma história de roteiro óbvio. Talvez as cenas de ação ajudassem a entreter se não fossem, como sempre, de carros batendo e tiros para todo lado. Tem assalto a carro forte, conspiração governamental, traição, destruição da máquina e, claro, mortes em nome de uma causa nobre, para arrancar uma lágrima.

Nenhum filme pode ser totalmente ruim. No final, todos conseguem divertir, nem que seja por poucos minutos. Apesar de abusar de clichês e rimas visuais pobres, elipses de se retorcer de vergonha pelo diretor, além de uma trilha sonora (casada a closes faciais) tão apelativa de embargar os olhos antes mesmo de ver o drama do personagem, Controle Absoluto consegue terminar o que começou na tela, sem espaço para dúvidas ou uma possível continuação. Mesmo transmitindo a eterna esquizofrenia americana do poderio futuro das máquinas sobre o homem, o longa consegue resolver todos as questões levantadas em cena, um ponto positivo para a obra. Porém, continua um forte candidato para as sessões semanais das emissoras abertas.

NOTA: 1,5

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