Cercada por música desde a infância, Lívia Moreira, ou apenas Liv, recebeu dos seus tios Marlon Moreira e Marcel Moreira, percussionista e baterista da Severino e os Atômicos, banda que fazia parte do movimento manguebeat, o incentivo e influências necessárias para fazê-la seguir os caminhos da música. Ela tem 25 anos, é professora de música e recentemente lançou seu segundo EP intitulado Maluca e Robô, que conta com cinco faixas.

Com um rock bem brasileiro, flertando com o metal mais progressivo, Liv carrega, além do sotaque da terra, letras que falam sobre comportamento humano. Maluca e Robô e Eu sou objetivo (2017) abordam bem essas temáticas. “Eu sinto que esses dois EPs se fundem, de certa forma. Neles eu falo sobre não ceder às pressões da sociedade, de não sermos aquele ‘padrãozinho’ que nos estipulam a ser o objeto usado pelas pessoas. Tem até gente que associa as letras com o feminismo, mesmo eu não tendo escrito com esse intuito, mas também é legal essa interpretação”, conta Liv.

Eu Sou Objetivo, primeiro trabalho publicado de Liv, como o nome diz, trata de uma visão mais introspectiva e traz uma temática e pinceladas de sonoridade regional. Já o novo trabalho aborda o individualismo inserido dentro do coletivo, o todo a partir de vários individuais, tudo isso com uma roupagem mais abrangente. Um som que, em comparação ao primeiro lançamento, “o Brasil entenderia”, segundo ela. Maluca e Robô, faixa-título, retrata o que Recife se transformou, no que os recifenses o transformaram – transporte público caótico, trânsito infernal – “É sobre as pressões de ser maluco e precisar ser robô todos os dias. Sobre ter que acordar e necessitar ‘ir à guerra’ dentro desse país”, diz. “Tem uma mensagem bem legal e acessível. Quem é recifense vai se identificar”.

Futuro

Liv pretende continuar divulgando o seu trabalho e correndo atrás de oportunidades para mostrar sua música. De novidade para os próximos meses só o lançamento do primeiro videoclipe (a faixa que batiza o EP, “Maluca e Robô”), que deve sair entre abril e maio desse ano. Ainda sobre o futuro, ela diz: “Meu objetivo é alcançar o país, mas sei que é difícil porque o rock não está mais no mainstream. Infelizmente eu nasci na época errada (risos). Não sei como agir em larga escala, o que sei é que preciso começar pela curta, pela local. Prezo muito pela qualidade, e é por isso que tenho feito as coisas com calma”.

Ouça os EPs Maluca e Robô e Eu Sou Objetivo, no Spotify.

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