NOS BASTIDORES DO ÚLTIMO SUSPIRO
Publicação reúne histórias, no mínimo curiosas, e relata o obituário de mais de 200 celebrities mundiais em relatos que incluem roubos de túmulos, fatalidades e pedidos extravagantes

Morte costuma ser um assunto meio tabu até entre amigos mais íntimos. Tem gente que não gosta nem de pensar no assunto. Mas o engenheiro Tob Benoit, no entanto, transformou a morbidez em passatempo. Por 10 anos ele viajou pelo mundo em busca de célebres túmulos: de heróis, anti-heróis, esportistas, artistas, cantores, atores. Em suma: gente que rende página inteira de jornal. Assim, ele coletou relatos da morte e funeral de mais de 700 personalidades, sendo as 245 mais interessantes reunidas no livro Como Eles Morreram publicado pela Panda Books. Nas inúmeras visitas a lápides, catacumbas, agências funerárias e crematórios, ele encontrou curiosidades que vão muito além do óbvio “descanse em paz”.

Esse é o segundo livro de Benoit e que não prima pelo texto em si, mas sim pelo conteúdo enciclopédico que vai de Albert Einstein a Picasso, de Karl Marx a Sigmund Freud. Todos são pequenos perfis, curiosidades sobre a morte, a lápide e a localização, uma espécie de roteiro sobre o lado menos conhecido e não menos interessante de cada personalidade.

Como Eles Morreram é diversão garantida. Dá pra passar o dia inteiro lendo sobre a morte de pessoas que você nem mesmo se lembrava que existiram. Mas uma ressalva deve ser feita em relação ao cuidado com as informações elencadas. Ele escorrega em informações triviais como, por exemplo, ao capitulo dedicado aos Beatles. Ele se refere ao guitarrista George Harrison, como baixista. E por aí vai uma série de tropeços que exige um pouco de conhecimento do próprio leitor.

Veja algunas notas transcritas do livro:

Orson Welles, cineasta e radialista

Depois de perturbar gerações com suas maiores obras, Cidadão Kane e Guerra dos mundos, Orson Welles sucumbiu aos problemas decorrentes da obesidade. Morreu de enfarto diante de uma máquina de escrever, enquanto trabalhava no roteiro de um filme. O corpo foi cremado e as cinzas, enviadas para Ronda, Espanha, aos cuidados do amigo Antonio Ordoñez, um toureiro aposentado. A pedido de Orson, os restos mortais foram colocados dentro de um tijolo usado na casa de campo de Ordoñes, sem nenhuma indicação que marque o local.
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Walt Disney, cineasta

O criador do Mickey Mouse morreu vítima de câncer pulmonar, aos 65 anos. Sabendo da aversão que ele tinha a funerais, a família preferiu não notificar ninguém sobre o sepultamento. Poucos parentes compareceram ao cemitério. Na época, a falta de informações gerou uma polêmica: Disney não teria sido enterrado, e sim congelado em uma câmara criogênica, por acreditar que, com o avanço da ciência, poderia voltar à vida. Anos mais tarde, a suspeita foi apontada como tão fantasiosa quanto as histórias que ele mesmo criava. Disney foi cremado e as cinzas, depositadas no Forest Lawn Memorial Park, na Califórnia.

Andy Kaufman, ator

O talento nato do ator para a comédia fez com que ele pregasse peças até mesmo na hora da morte. Em novembro de 1983, descobriu um raro tumor nos pulmões, desenvolvido apesar de manter uma vida saudável e nunca ter fumado. A improbabilidade do fato fez com que muitos duvidassem da doença. Uma viagem às Filipinas, em busca de uma cura mágica realizada por xamãs, também foi entendida como uma piada. Cinco meses depois, ele não resistiu à doença. Muitos interpretaram o anúncio do funeral como uma tirada mórbida do ator. Alguns chegaram a cutucar o corpo no ataúde, imaginando que Kaufman estava representando. Estava realmente morto e foi sepultado no Beth David Cemitery, em Nova York.

George Burns, ator

O bem-viver sempre foi a receita do ator para garantir a longevidade. Morreu aos 100 anos, enquanto dormia, por causas naturais. O sepultamento foi digno de um faraó do século 20. Segundo Daniel Dhoore, seu mordomo, ele foi enterrado no Forest Lawn Memorial Park, na Califórnia, com um terno azul-escuro, camisa azul-clara, gravata vermelha e peruca. O defunto usava também a aliança do casamento com a atriz Gracie Allen e um relógio presenteado por ela. Nos bolsos, três charutos, o molho de chaves e uma carteira com 10 notas de 100 dólares, uma de cinco e três de um dólar. “O suficiente para jogar bridge aonde quer que vá”, justificou o fiel empregado.

COMO ELES MORRERAM
Tob Benoit
Trad: Carolina Caires Coelho e Leonardo Antunes
[Panda Books, 320 págs, R$ 45,90]

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