SOPRAR AS VELINHAS PARA MANSON
Aplausos para o homem que realizou mutações no próprio corpo para angariar fãs em um disco que modificou para sempre a história do seu estilo musical
Por Wagner Bethoveen

MARILYN MANSON
Mechanical Animals
[EUA, 1998]

Faz exatamente dez anos que o anticristo lançou o seu terceiro disco, o Mechanical Animals, álbum cheios de simbolismos e que definitivamente agrariou mais fãsao velho e bom Manson. Com mais de 6 milhões de cópias o CD foi de longe o maior sucesso de vendas do grupo até o presente momento. O disco choca longo com a capa cinza composta por uma foto do próprio Manson com seios e sem órgão sexual. E foi com o bizarrismo desse disco que ele finalmente conseguiu atinguir topos de todas as paradas.

Os primeiros singles do disco foram ecoados nas rádios de todo mundo “The Dope Show”, “Rock Is Dead”, “I Don’t Like The Drugs (But The Drugs Likes Me)” e “Coma White”. Todos simbolizam uma radical mudança com a sonoridade anterior e tece fortes comentários sobre a religião católica e seu modelo de mésias. Tudo permeado por equipamentos eletrônicos que hoje, soam demasiados trazendo um certo clima extraterrestre que o alien quer tocar.

Musicalmente Mehanical Animals é um disco ímpar se comparado aos trabalhos anteriores, Antichrist Superstar. Esse disco é leve e se preocupa com a imagem, o conceito, a carga pop e não só com o peso das faixas ou as criticas a vida americana. No disco são dois personagens dentro de um só, Aplpha é viciado em drogas pesadas e é glam-rocker; já o extraterreste Omëga traz uma musicalidade niilista em sete faixas como “The Dope Show”, “Rock Is Dead”, “I Want to Disappear”, “I Don’t Like the Drugs (But the Drugs Like Me)”, “New Model No. 15”, “User Friendly” e “Fundamentally Loathsome”. Enquanto as outras sete, “Great Big White World”, “Mechanical Animals”, “Disassociative”, “The Speed of Pain”, “Posthuman”, “The Last Day On Earth” e “Coma White” são tocadas pelo outro elemento do disco. Porém as faixas ainda falam de drogas, como é visto em “Coma White”.

Além das dissonâncias entre os trabalhos do grupo, Mechanical Animals guarda consigo uma fixação pelo número 15. O nome do astro esta grafado MAR1LYN MAN5ON, onde o 1 substitui o I e o 5 o S. O aniversário do vocalista é no dia 5 de janeiro (5/01) e o álbum foi lançando no dia 15 de setembro (que no inglês é a ordem invertida, setember, 15Th, 9+1+5=15). Quando se põe o disco no computador parece a carta do Demônio do Tatot, carta XV, dentro do encarte do disco, há uma figura de barato e ao lado dele está escrito: ma 3×5 e as faixas “The Last Day On Earth” e “Great Big With World”, ambas têm 5:01.

As coincidências são propositais e ao que parece é baseado na expressão de do artista plástico americano Andy Warhol, 15 minutes of fame que vai aparecer explicito na faixa “I Don’t Like The Drugs (But Te Drugs Like Me)” e que tornou também tema do inicial da trilogia.

Mechanical Animals é o meio de uma trilogia que começa com o álbum posterior, Holy Wood (In The Shadow Of The Valley Of Death) e termina com o antecessor Antichrist Superstar. E na mesma época que explicou sobre a trilogia, Manson disse ser mais parecido com Jesus Cristo do que com Lúcifer. O polêmico cantor também nesta mesma época foi acusado de ser influência para o assassinado na cidade de Colombine (EUA) pelos estudantes Eric Harris e Dylan Klebold.

A capa do disco marcou as lojas de CDs por que algumas delas não quisseram vender pois classificava como obcena, a Wal-Mart, por exemplo, não quis vender e começou um boicote contra o cantor. Apenas no The Golden Age Of Grotesque que o disco do grupo americano voltou a ser vendido nas prateleiras da loja, por que disseram ser comercialmente viavel.

As fotografias do disco foram tiradas pelo norte-americano Joseph Cultice e a prótese genital e os seios de Omëga foram criados pela empresa do George Lucas, Light and Magic. O disco marcou também um filme que conseguiu mudar o cinema, Rock Is Dead fecha o filme de Larry e Andy Wachowski, Matrix. Manson é sem duvida um verdadeiro comerciante de sua imagem e em Mechanical Animals é possivelmente o ponto mais alto que o anticristo consegui alcançar.

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