POR UM 007 IMORTAL
Depois de voltar a ativa com o lançamento de 20 DVDs da série e da estréia de Cassino Royale (2006), James Bond, na pele de Daniel Craig, dá novos sinais de vida com Quantum Of Solace

Por Fernando de Albuquerque

Rodeado de mulheres estonteantes, martínis e vilões meio malucos, James Bond, o mais irresistível dos agentes secretos surgiu no mundo em meados de 1953, ano da coroação da Rainha Elisabeth, quando o escritor inglês Ian Fleming publicou seu livro Cassino Royale, o primeiro de uma série protagonizada pelo herói britânico. Em 62, Bond chegou às telonas com 007 E O Satânico Dr. No, interpretado pelo, então desconhecido, Sean Connory. Os 44 anos de serviços prestados do agente podem ser novamente reconferidos com o lançamento de todos os filmes e também com a chegada de Quantum Of Solace que estreará no Festival de Londres no próximo 29 de outubro. O filme traz Daniel Craig, com toda sua forma e músculos, como o sexto intérprete do protagonista.

Bond, tal como Iron Maiden e mais uma série de bandas do mesmo gênero, tem em comum o extremo conservadorismo. Os filmes são quase os mesmos e, embora tenha lá seu aspecto retrô em alguns momentos, e embora encene o verdadeiro retorno de uma mitologia, 007 mais antigos nunca desagradaram os fãs mais empedernidos. O que foi bem diferente no último filme e será no próximo porque, de fato, se há uma tradição em jogo no filme de Martin Campbell, ela é posta em crise dentro do próprio imaginário da série e dentro da própria noção de action hero.

O sucesso quase que irrestrito do agente se deve, em grande parte, a sua própria gênese. Quando 007 surgiu nas telas, a Guerra Fria estava no auge. Poucas vezes, porém, os filmes tratavam de política e traziam, na verdade, vilões oportunistas querendo jogas as potências umas contra as outras, mas sem de fato envolver as nações. Desde os primórdios, a questão mais presente na série é como evitar que inimigos megalômanos tenham acesso a armas de destruição em massa. Precoupação essa que, hoje, é bem semelhante aos partidários do Bushismo e Cia.

Por trás de todos os filmes da série contudo vemos uma certa defesa desbravadora do capitalismo. Muitos dos inimigos de Bond são megaempresários interessados em controlar o planeta. Nos primeiros filmes ele sempre eram magnatas com um jeito meio aristocrático e fazia parte de uma organização fora-da-lei chamada Spectre. Depois eles passaram a agir por conta própria com o intuito de eliminar toda a concorrência e criar monopólios. Mas no capitulos de vilões, poucos foram os autênticos espiões que o agente combateu, como o pistoleiro Scaramanga, em O Homem da Pistola de Ouro (1974).

E como sempre, a fórmula dos filmes se repetem. Após uma abertura com muita ação Bond se inteira de sua tarefa e chega á base secreta de seu inimigo. Acaba com o vilão e passa alguns dias de folga com sua garota. Connery foi quem encarou o personagem da melhor maneira. O jeitão de Bond era cínico e charmoso. George Lazemby nem conta já que fez apenas um filme. Roger Moore, que veio nos anos 70 era excessivamente cafona e debochado. Já Thimothy Dalton devolveu seriedade ao personagem, mas nem de perto tinha uma gota de carisma. Pierce Brosnan deu a Bond o segundo melhor representante. Mas foi Daniel Craig quem de fato destruiu toda a estirpe Bondiana. Tal com um cafuçu que bebe champagne, Craig transforma o agente em um mero coadjuvante da trama e que seduz apenas por músculos aparentes e não pelo charme que sempre foi a marca principal do personagem. Trazendo a James Bond um ideário muito anos 90 para um agente atemporal.

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