TURN INTO
COBERTURA TIM FESTIVAL 2006
O Grito foi conferir o maior festival de música do país.

por Paulo Floro

TOM BRASIL – SÃO PAULO – SP
29.10.2006

Muitos espaços vazios na edição paulistana do maior festival de música pop do país. O TIM FESTIVAL 2006 em São Paulo não teve um público tão grande quanto o do ano passado e mesmo com Karen O e Daft Punk no cast, fez uma edição meio morna. Rostos blasé, all-stars, finzinho de tarde, ih, quase me esqueço que este era um dos eventos indies mais falados.

REINO DA ALEGRIA

O Mombojó fez um show ok, mas no início, muita gente não se empolgou a nem mesmo levantar-se do chão para curtir o show dos pernambucanos. Com sua aposta off-mangue cada vez mais adentrando em novas paragens musicais (como o dub e o samba), o grupo fez bonito em seus 40 minutos, sendo que seus shows carecem de uma renovação. O ponto alto foi o final, e isso não é sarcasmo gratuito, pois foi esse o momento de maior interação com o público, que cantava, feliz da vida, o refrão de “Deixe-se Acreditar”, o hit do grupo.


A melhor banda de nova-iorque agradou até os nipônicos da grande metrópole.

Em seguida o TV ON THE RADIO, trouxe seu rock experimental para um público ainda apático. Negões de vocal afinado e guitarras pontiagudas, logo mostraram que se tratavam da maior banda de nova-iorque no momento. A banda arrasou com um show explosivo, meio catártico, que animou até mesmo quem não tinha ouvido uma única música do grupo. O TVOTR se pautou por faixas do excelente Return to the Cook Mountain lançado esse ano. “Province”, “Wolf Like Me” foram de arrepiar. À certa altura, o vocalista Tunde Adebimpe suado, gritando no megafone, lembrava que o show de sua banda é uma experiência que supera os sentidos normais. Pra completar o desbunde sonoro e espetacular, começou de uma hora pra outra, uma batucada, uma guitarrada e o que mais surgisse, que até o roadie, de camiseta cinza agarrou um instrumento e se jogou no som, que terminou o show de maneira quase-apoteótica. O cronômetro da organização do festival não permitia nem mesmo um bis. Pena, faltou cantar “Hours”, mas tudo bem.

Tentei desesperadamente achar um fã do THIEVERY CORPORATION, mas não obtive sucesso. Mas este é um festival de classe, e não há nada mais cult que essa dupla norte-americana que adora um sub-desenvolvimento. Ao fundo do palco, com pick-ups, comandavam uma festa de vocalistas brasileiras que gritavam: “isto aqui ta bom pra caralho”. Que fino. Muito suingue, bossa-eletrônico, o show parecia que estava enrolando, mas estavam mandando muito bem. O problema era a platéia com cara de “a Karen vai entrar quando?”. Fora isso o Thievery Corporation teve um pequeno atraso que fez o público chiar

Com o YEAH YEAH YEAHS prestes a começar, me meto quase na frente do palco. Cheiro de cannabis, água mineral servida num copo (disseram que mudou o patrocinador de última hora), fila interminável no banheiro dos homens (!) e a pista lotada. Karen entrou rodopiando. Ela é a Chrissie Hynde moderna e caótica. Ela é a Patti Smith demente. Com um sex-appeal bizarro, Karen transborda sexo, mas daquele tipo gonzo e pouco convencional. Todo trejeito seu era ovacionado pela platéia. Karen coloca uma capa, Karen coloca um pano no rosto, Karen se joga no chão, bate com o microfone na bateria, pula com um boneco jogado pela platéia, grita, faz careta, tudo é motivo para milhares de flashes e histerismo. Ela sabe do poder da sua imagem, ela parece posar para as fotos. Com um maiô e pernas laminadas brilhantes, Karen movimentou todo mundo e ocupou o palco inteiro, com seu espírito quase vomitando por cima das pessoas. De tão esfuziante, o show pareceu rápido. O YYY tocou basicamente músicas do disco Show Your Bones, deste ano e ainda hits anteriores como “Date With The Night”. Pararam um pouco para Karen gritar SAO PAULO!! e falar com a platéia. “This is the song about love” e coloca o microfone no coração. Não conheço uma empatia maior com uma platéia como foi visto neste rápido show do Yeah Yeah Yeahs. De fato, o ponto alto do show foi “Turn Into”, a balada que é o atual single de trabalho do grupo, mas “Gold Lion” com uma tensa introdução também foi espetacular. O guitarrista Nick Zinner ainda atravessou o palco de ponta a ponta para tirar fotos. Aquilo precisava mesmo ficar guardado. Assim como entrou Karen e o resto da banda sumiram ainda com bastante gás. Por fim, o baterista Brian Chase, sozinho agradeceu a platéia. De nada. Y-Control é isso aí. Yeah!

OFF THE EGO


Digital Love? A dupla mostrou que ele são tão humanos que fizeram o melhor espetáculo da noite.

Os franceses do Daft Punk remixaram o criativo conceito inventado pelo Kraftwerk trinta anos atrás, de uma maneira mais kitsch e óbvia. A máquina que sente, o andróide. O show do grupo foi espetacular no conceito, na estrutura, no som. Como robôs, estavam distantes e inacessíveis, mas assim como a tecnologia, eram parte das massas e sua música, a trilha sonora deste tempo onde tudo se revela cada vez mais rápido. O jogo de luz combinava com o repertório dos três discos do grupo francês, que abriram com “Robot Rock”, do último disco, Human After All. Thomas Bangalter e Guy Manuel-de-Homem Christo fizeram um show também curto, porém de uma catarse surpreendente. Eram a principal atração da noite. Uma enorme pirâmide quase adentrava o palco, no alto, dois robôs com capacetes espelhados comandavam um dos maiores espetáculos do planeta. Várias projeções se uniram ao som num efeito fabuloso, com uma parafernália tecnológica de som e luzes, que lembrava um pouco o Pink Floyd das arenas, so que menos cafona. De tão confiantes no que faziam, o Daft Punk desconstruiu o próprio repertório, com várias músicas sobrepostas. Podemos dizer, por exemplo, que “Around The World” tocou durante todo o set list. Com pouco mais de uma hora, o Daft Punk deixava o planeta mais uma vez. Finalizaram com “Human After All” com várias imagens de pessoas de diferentes etnias. O toque humano veio enfim. Animada, a platéia, que esperara um atraso de uma hora, ainda esperou uns 15 a 20 minutos na esperança que a cortina se abrisse novamente e o Daft Punk tocasse mais uma. Talvez “Digital Love”, era o palpite. Uma expressão de “o que foi aquilo?” e todos foram embora. O calor das máquinas estava no fim.

GRITOS SOBRE O TIM FESTIVAL 2006

– A edição paulistana do Festival foi um fracasso de público, mas no Rio e em Vitória a média de público também não foi muito boa. A principal reclamação era a escalação minguada em São Paulo, que não teve Beastie Boys, Patti Smith nem Devendra Banhart. Além disso, o ingresso era o mais caro, R$ 180 reais.
– No Rio de Janeiro, de última hora escalaram Caetano Veloso pra recuperar o prejuízo.
– Apesar das estripulias, da jogação, de loucura, da cusparada, Karen O. é muito tímida e os jornalistas ficam com cara de mamão perto dela, tamanha é a introspecção da moça.
– A organização alegou que a mudança de local do show para o Tom Brasil foi uma exigência do Daft Punk, que temia ter sua parafernália tecnológica danificada caso chovesse. Outros especulam que, dada a procura por ingressos, teríamos muitos espaços vazios no Anhembi.
– Especulação é uma merda. Antony and the Johnsons, Clap Your Hands Say Yeah, Goldfrapp e até Radiohead foram dados como certos nesta escalação do TIM Festival.

Veja fotos do show
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Veja vídeos do TV On The Radio, Daft Punk e Yeah Yeah Yeahs
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Acesse:
Mombojó: http://www.mombojo.com.br/
TV On The Radio: http://www.tvontheradio.com/
Thievery Corporation: http://www.thieverycorporation.com/
Yeah Yeah Yeahs: http://www.yeahyeahyeahs.com/
Daft Punk: http://www.daftpunk.com/
Tim Festival: http://www.timfestival.com.br/noticias/

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