INESQUECÍVEL EM TODOS OS SENTIDOS
Por Mariana Mandelli

São Paulo – Domingo, 28 de outubro de 2007
Anhembi

Não teve a tão esperada chuva, que amedrontou durante a semana e ameaçou o domingo inteiro. Em compensação, filas quilométricas, problemas no som e um atraso de três horas na programação marcaram o dia principal do TIM Festival 2007 em São Paulo. O tão aguardado dia 28 de outubro, que traria aos palcos paulistanos Arctic Monkeys, The Killers e Björk, foi marcado pelo calor intenso e a falta de organização absurda da produção do evento.

As apresentações estavam marcadas para às 18h30. Entretanto, os portões só foram abertos para o público por volta das 16 horas e a primeira atração da noite, o grupo de hip-hop Spank Rock, só subiu ao palco depois das 19 horas. O show animou principalmente a área VIP e ainda contou com um mosh de um dos integrantes.

Já atrasados, os ingleses do Hot Chip subiram ao palco para apresentar seu som dance-punk e electropop dos discos Coming On Strong (2004) e o recente The Warning (2006). O grupo apresentou uma seqüência de canções e deixou o palco, voltando quase meia hora depois para finalizar a apresentação.

Bjork Tim 2007

Björk fez a melhor apresentação da noite. Consagrada pela crítica, a islandesa foi ovacionada pelo público paulistano. Conversando pouco com público – ela se limitava a dizer um “obrigado” carregado de sotaque ao fim de cada música – mas completamente desenvolta no palco, Björk dançou, ensaiou passos, movimentou-se e interagiu com sua orquestra de sopro. O palco coloridíssimo combinava com as roupas da cantora e dos músicos, repletas de cores e motivos étnicos. Apresentando as canções de Volta (2007), como “Earth Intruders”, “Wanderlust”, “Innocence” e “Declare Independence” (que fechou o show no bis), e outros hits como “Hunter”, “Hypperballad”, “Pagan Poetry”, “Joga”, “Army of Me”, Björk ainda cantou “Vokuro” e “Pluto”, entre outras. As batidas eletrônicas, sintetizadores, luzes, cores, papel picado e sua poderosa voz, esquisita e doce ao mesmo tempo, dominaram o Anhembi por uma hora, em meio à catarse dos fãs.

Juliette and the Licks Tim 2007

O grupo Juliette & The Licks fez uma apresentação curta e razoável. Com um som semelhante a um indie rock meio farofa, cheio de pose, a banda ganha mais atenção pela inegável presença de palco de sua vocalista, a atriz Juliette Lewis. Adorável e performática, a cantora soltou a voz – e as roupas – em hits como “Hot Kiss” e “Smash and Grab”. O show ainda contou com “Got Love To Kill”, “Purgatory Blues”, “Death O A Whore”, “Get Up” e “Sticky Honey”, entre outras.

Os estáticos Arctic Monkeys provaram que todo o hype em torno de sua música não é tão exagerado assim. Os ingleses têm um peso enorme ao vivo e seus hits conseguiram levantar um Anhembi já cansado de esperar por eles. Pouco simpáticos e imóveis, entraram no palco e já mandaram “Sandtrap”, seguida por uma série de músicas empolgantes – que contrastavam com a aparente falta de ânimo de Alex Turner e companhia. Misturando as faixas de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006) e Favourite Worst Nightmare (2007), os dois únicos álbuns de estúdio da carreira meteórica da banda, “This House is a Circus”, “Brianstorm”, “Dancing Shoes”, “Fake Tales Of San Francisco”, “Balaclava”, “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, “Do Me a Favour”, “If You Were There, Beware”, “Teddy Picker” e “Fluorescent Adolescent”, entre outras, fizeram a alegria dos entusiastas do bom indie rock. A banda deixou o palco sem frescuras, após tocar “A Certain Romance”, ovacionada pelo público paulistano.

Com três horas de atraso em relação à programação original, o show do The Killers começou às 4 horas da manhã. Uma introdução cafona, marcada por imagens de uma cidade esquecida (Sam’s Town, é claro, nome do último disco da banda) no telão, música instrumental e um palco todo decorado com flores e luzes, repleto de vasos e panos, já anunciavam que Brandon Flowers estava para chegar. Exagerados e nostálgicos (e mais qualquer outro adjetivo que remeta ao saudosismo brega da década de 80) podem definir o Killers, mas foi simplesmente inevitável não se divertir em uma hora de hits adoráveis. A audiência já cansada não hesitou em acompanhar Flowers, vestido todo de preto e com seu bigodinho indefectível, em sua performance teatral que tomava todo o palco. Jogado no chão, com as mãos para cima, ou subindo nas caixas de som fazendo cara de desespero, ele cantou os maiores sucessos de Hot Fuss (2004) – “Smile Like You Mean It”, “Mr. Brigthside” e “Somebody Told Me” fizeram a platéia pular – e Sam’s Town (2007) – “When You Were Young”, “For Reasons Unknown”, “Read My Mind” e “Bones” foram cantadas em coro. O Killers deixou o Anhembi às cinco da manhã, com o céu já esboçando um amanhecer de segunda-feira. Apesar do cansaço, da irritação e da fome e da sede (no fim dos shows já não havia quase nada para vender nos quiosques do festival), era visível a satisfação no rosto de quem ficou até o final.

COBERTURA TIM FESTIVAL SÁBADO

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