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O MELHOR COVER
Com 21 anos de carreira, o The Beats é mundialmente reconhecido como o cover mais fiel aos Beatles recebendo elogios até de Geroge Martin
Por Mariana Mandelli

O Via Funchal estava impressionantemente lotado. Gente de todas as idades estavam distribuídas entre as mesas do salão, quando os argentinos do The Beats fizeram uma apresentação competente que levantou o público e fez muitos fãs voltarem à década de 60 em plena noite de uma sexta-feira de abril. Elogiados por Allan Williams, primeiro manager dos fab four (“soam melhores que os Beatles quando os levei a Hamburgo”) e por Allister Taylor, assistente de Brian Epstein, o primeiro empresário de John, Paul, George e Ringo (“é como se os Beatles nascessem outra vez”), o The Beats são considerados o melhor cover do mundo pela Beatles Annual Convention de Londres e de Liverpool.

The Beats (Foto: Divulgação)
Guitarrista da Banda Argentina The beats, Patrício Perez, encarna o Paul McCartney

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Com roupas idênticas aos trajes de Lennon e companhia e instrumentos originais da época, The Beats conseguem reproduzir com fidelidade a música e a imagem dos Beatles. As intervenções de vídeo na apresentação, que separam os blocos e trocas de roupa, são um show particular: há imagens da banda excursionando pela Inglaterra e passando pelos lugares que mais marcaram a carreira dos fab four, clipes, fotografias, painéis gigantes que reproduzem as capas dos discos (Abbey Road, 1969, e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, 1967) e uma animação incrível que imita os desenhos do filme Yellow Submarine (1968).

Aos primeiros acordes de “I’ve Got a Felling”, do álbum Let it Be (1970), já fica claro a agilidade de Patricio Pérez, um dos idealizadores do The Beats e o responsável por dar vida a George Harrison, nas guitarras. Sua desenvoltura nos solos e nos vocais é brilhante, especialmente em canções como “While My Guitar Gently Weeps” e “Here Comes the Sun”. Destaque também para seu domínio da cítara em “Within You Without You”, faixa do Pepper’s. Mas o maior trunfo dos The Beats é, sem dúvida alguma, Diego Pérez, o outro fundador da banda e intérprete de John Lennon. Além da impressionante semelhança física com o ídolo, a voz de Diego soa como a de John, alternando tons ásperos e doces. Chega a ser assustador vê-lo interpretar “Imagine”, “Come Together”, “Don’t Let me Down”, “Help!”, “A Hard Day’s Night”, “Lucy In The Sky With Diamonds” e “I Am the Walrus”.

O show, apesar de não ser cronológico, consegue abranger toda a carreira dos fab four, dando espaço para todos os integrantes interpretarem faixas das diferentes fases. Nico Natal faz um bom trabalho em “With a Little Help from My Friends” e “Yellow Submarine” como Ringo Starr. Já Rubén Tarragona, apesar de tocar baixo com a mão esquerda como Paul McCartney, não corresponde aos vocais de Macca. Sua voz se mostra fraca em músicas como “Yesterday” e “We Can Work It Out”.

O The Beats se formou em 1987 e já rodou o mundo – até uma turnê japonesa eles realizaram. Em março de 2007, foram enviados para a Inglaterra, pela EMI londrina, para gravar, nos estúdios Abbey Road, o quinto disco do grupo, Master Piece, uma homenagem ao 40º aniversário do Sgt. Pepper’s. O trabalho de estúdio da banda foi elogiado em uma carta de George Martin para o grupo.

Apesar de não serem tão puristas – a banda cortou algumas canções, como aconteceu em “A Day in the Life”, em que só a parte de Lennon foi interpretada; acrescentou solos desnecessários a algumas músicas e substituiu instrumentos por efeitos de teclado (como a gaita de “From me to You”) –, a apresentação do The Beats ganha pontos pela plasticidade e, principalmente, pela magistral presença de Diego Pérez como John. É o mais próximo de Lennon que os beatlemaníacos podem chegar hoje, o que já é um grande mérito do grupo.

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