JUSTIÇA PARA TODOS
Maior evento de música eletrônica do país encolhe de tamanho, mas confirma sua vontade de ampliar seu público
Por Mariana Mandelli

Mais de 15 mil pessoas, dezenas de atrações, uma estrutura gigantesca, uma organização de fazer inveja e um som ensurdecedor. No último sábado, rolou no Anhembi, em São Paulo, o maior festival de música eletrônica do Brasil: Skol Beats. Com duas tendas grandes, um line-up eclético (e, por isso, muito criticado) e um público igualmente variado – era possível identificar os mais diferentes tipos, de emos a indies passando por punks e skatistas -, o festival durou mais de 13 horas e teve como carro-chefe da noite o aclamado duo francês Justice. Mas, antes da tão esperada dupla fazer seu set, o palco principal recebeu outros DJs e bandas.

A dupla brasileira Killer on the Dancefloor foi a primeira a se apresentar. O duo foi seguido pelo cearense Montage, que levantou o pouco público que esperava em frente ao palco embaixo de uma garoa bem fininha. Logo em seguida, por volta das 22 horas, foi a vez do Mixhell de Iggor Cavalera (ex-Sepultura) e sua esposa, a artista plástica Laima Leyton, que também agradaram a platéia que começava a se aglomerar para esperar o Justice.

A tão aguardada dupla subiu ao palco um pouco depois das 23 horas. Logo, os amplificadores distribuídos junto à cruz luminosa, símbolo dos franceses, tornaram-se cenário dos maiores hits da música eletrônica de 2007. Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, que encerraram a turnê mundial com os shows no Brasil, levantaram milhares de pessoas com “Genesis”, “DVNO”, “Stress”, “One Minute to Midnight” e “Never Be Alone”. O ápice, como não poderia deixar de ser, foi em “D.A.N.C.E”. Simpáticos – mas sem serem efusivos -, os dois pediam animação para o público e levantavam as mãos a cada faixa recebida aos pulos pela platéia. Um show sem grandes supresas, mas que correspondeu às expectativas.

A noite seguiu com a apresentação de DJ Marky & MC Stamina e do quase insuportável Pendulum, uma espécie de Linkin Park ainda mais pesado e forçado. Quem esperava pelo Digitalism, além de ter suportado a chata atração anterior, teve que enfrentar um atraso de meia hora e problemas com o som, que prejudicaram o início da apresentação do duo alemão Jens Moelle e Ismail Tüfekçi. Mesmo assim, os dois permaneceram animados e colocaram todo mundo para dançar ao som de hits como “Digitalism in Cairo” e “Idealistic”.

Armin Van Buuren, DJ holandês considerado um dos melhores do planeta, veio em seguida e tocou por mais de duas horas – para a alegria dos fãs de seu tecno e trance. A performance trouxe misturas inusitadas – como uma versão de “Smells like teen spirit”, do Nirvana.

Quem ficou até o final, viu o dia amanhecer ao som do brasileiro Gui Boratto. O DJ encerrou o festival com uma banda e faixas diversas, indo além do seu último disco Chromofobia e experimentando influências rock ao vivo. O manhã de domingo mais eletrônica do ano acabou por volta das nove da manhã, com um público pequeno que resistiu até o final – mas que saiu do Anhembi satisfeito.

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