Da Revista O Grito!, no Recife

O caos presumido na Agamenon Magalhães em dias de shows no Clube Português foi conto da carochinha no último sábado, 12/01, quando Pabllo Vittar subiu ao palco, sendo precedida pela banda A Favorita e sucedida por Valeska Popozuda, na Festa do Céu. O publico, com certeza, foi menor que o esperado, mas nada que tenha atrapalhado o fervo da apresentação da maranhense ou saltasse aos olhos de quem viu o Português apinhado de gente no dia dos Racionais MCs.

A noite começou morna com a apresentação de Pepe Jordão e Aslan Cabral nas pick-ups. Apesar do set que levantava até defunto de tão animado, todo mundo só falava em ver a apresentação de Pabllo. Quais seriam as músicas, será que haveria “bis”, será que ela iria atender pedido dos fãs, será que iria fazer isso ou aquilo? As conversas e o tititi em torno do que seria apresentação não poderiam ser menores. O sucesso e o estouro alcançado por Pabllo Vittar vão muito além do seu repertório e performance, encarnando um novo modo de produção, circulação e consumo cultural que se proliferam com as “mídias pós-massivas”.

Foto: Thiago Britto/Divulgação.

A Favorita deu início ao show entoando seu principal hit, “Só dá tu”. E não poderia ser diferente. A noite era do fenômeno e quem pretendesse deixar alguma marca, tinha que chegar-chegando. Um concurso de fantasias e melhor performance animou os presentes ao garimpar participantes para lá de desinibidos, coroando a drag que melhor sintetizou a noite com uma apresentação bastante rebolativa.

Plateia lotada para Pabllo: a visão de uma existência mais tolerante.

Depois de um breve discurso da produtora e empresária Maria do Céu o evento deu espaço para a apresentação de Pabllo Vittar! E suspirando, dá pra afirmar: “Que show!!!!”.

Ela combina músicas altamente sacolejantes com ativismo de gênero e midiativismo de entretenimento, a fórmula precisa que captura a plateia pela garganta e nos faz ter esperança em um país melhor, numa vida mais tolerante, na possibilidade de rebolar sem receber olhares condenatórios. Uma luz no fim do túnel no cotidiano de afetos midiatizados e digitalmente espairados, cheios de ódio.

Em sua apresentação, Vittar trouxe seus principais hits. Entoou “Open Bar”, um sample de Major Lazer da canção “Lean On”; “Rainha” outro sample, de “Diva”, de Beyoncé; “Tome Curtindo” alude ao filme Matrix e a performances de Madonna e Beyoncé; “Corpo Sensual”, e cantou duas vezes o mega-blaster-hit “K.O.”, que tem inspiração no filme Street Fighter.

E sua apresentação não ficou somente no ativismo do pastiche e da paródia. Ela parou o show para dizer palavras de ordem e pedir apoio quando um segurança deu um soco em rapaz que estava no gargarejo do palco. E recebeu de braços abertos uma fã que conseguiu pular o gradil e falar pessoalmente com ela.

Gay, drag, maranhense, de fala fina e fala grossa em outros momentos, Vittar é a representante máxima daqueles que estão no limiar da cidadania. Ela inverte a lógica e diz que deu certo e que tem espaço para todo mundo nos holofotes da aceitação. Ela contesta códigos estéticos, políticos e narrativos por meio de suas remixagens.

Depois da apoteose de Pabllo Vittar, a apresentação de Valeska Popozuda pareceu cantiga de ninar.

Fotos: ADB Produções/Amora Filmes.

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