Cordel do Fogo Encantado (Foto: Caroline Bittencourt/ Divulgação)
Cordel do Fogo Encantado (Foto: Caroline Bittencourt/ Divulgação)

CHOVER, CHOVER!
Devoção debaixo d’água na última noite do Rec Beat que marcou os 10 anos do Cordel do Fogo Encantado
Por Paulo Floro*

O sentimento do último dia do Rec Beat era de uma ressaca. A garoa que não parava de cair, destruía ânimos quando se tornava chuva e causava impaciência se virava toró. Não ajudou também uma escalação sem muito apelo, a nao ser para a apresentação no final do Cordel do Fogo Encantado, que comemorava ali seus 10 anos de palco e a abertura da Burro Morto (PB).

Com uma psicodelia que namora com outros ritmos como samba e jazz, mas sem fazer disso um mantra rígido, a Burro Morto mostrou que tem criatividade para ousar e fazer um show cheio de pequenas surpresas. Pegou um público que decidiu encarar a noite úmida para ver uma apresentação que fica longe do tédio. Também serviu para mostrar que o público do festival está devidamente catequizado para aproveitar as mais diversas propostas sonoras. São bandas como essa que revelam um das principais qualidades do Rec Beat.

Bastante aguardado após certa repercussão no circuito paulista – trafega entre a cena independente e os “modernos” da MPB, Junior Barreto pareceu aposentar uma fleuma que insistia em se adequar ao seu estilo pessoal. Tocando músicas do primeiro disco, ele fez um show cheio de carisma. Tocou músicas de seu novo disco, que deve sair ainda este ano, mas cujas faixas já foram distribuídas online. Tido como promissor anos atrás, após o show do Rec Beat se faz torcida para que seu próximo trabalho prolongue o prestígio alcançado até aqui.

Em seguida, veio duas das apresentações mais confusas deste ano no Rec Beat. Giovanna, do Uruguai trouxe um tango sem nenhum plus de novidade ou mesmo uma proposta diferente. Se a ideia era apresentar novos nomes da música pop latino, a cantora foi sinônimo de estagnação, falta de vigor e criatividade. Pra completar, chovia forte em grande parte de seu show, o que dispersou bastante o público. O Bomba Estereo, da Colômbia, tinha boa presença de palco e fez um som batidão que empolgou o público em alguns momentos. A vocalista Li Saumet mandava seus gritos embalados por uma mistura de reggaeton com electro. Mas chamava mais atenção por seu corte de cabelo exótico que por sua música. E a isso se resumiu o Bomba Estereo, uma banda que se esforçava em fazer da explosão das batidas e da performance de palco um atalho para prender a atenção da plateia ensopada. Musicalmente fraca, parecia em alguns momentos uma mistura de Skank Anansie com pop latino.

Atração mais aguardada, O Cordel do Fogo Encantado começou a acumular público desde antes do show do Bomba Estereo. Suas apresentações já são conhecidas pelo tom messiânico e esta não foi diferente. A diferença aqui é que, por questões emotivas, o show teve um tempo maior e ganhou importância master por parte da banda. Também pudera: foi no mesmo Rec Beat que, há dez anos atrás o produtor Antônio Gutierrez fez a proposta para o então grupo de teatro fazer um show musical no festival. Foi a primeira apresentação deles enquanto banda. Até hoje o que o Cordel tem de melhor é essa sua mis en scène, uma teatralidade disfarçada de catarse. A reação do público não podia ser outra: devoção. Vendo o show da plateia e não do fosso onde os jornalistas costumam ficar, é possível perceber o quanto a banda exalta o ânimo das pessoas. Em alguns momentos a tensão acarreta problemas, com tropas de policiais atravessando as pessoas com brutalidade, mas nada que comprometesse a festa. O show teve ainda a participação de Canibal do Devotos e novas composições. A impressão que se teve foi de que nascia ali um Cordel renovado, uma banda que nunca se pretendeu sair do independente, mas que cada vez mais se torna gigante dentro do cenário pop nacional.

COBERTURA REC BEAT 2009

[+] COBERTURA JOÃO DO MORRO

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* Colaborou Fernando de Albuquerque

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