Radiohead (Foto: Gabriel Gurman)

DESLUMBRE INDIE
Nosso repórter foi até a Itália assistir ao show do Radiohead, que os brasileiros esperam messianicamente há quase uma década
Por Gabriel Gurman, texto e fotos, de Milão

RADIOHEAD – Civica Arena
Milão, Itália | 17 e 18 de junho

“PQP, ele é torto mesmo!”. Admito que esse foi o primeiro pensamento que me veio a cabeça quando vi Thom Yorke a poucos metros de mim. Meio ingênuo, talvez, mas o momento não me permitia reações racionais. A sensação de ver de perto alguma coisa que se espera há tanto tempo é indescritível e, quando chega a hora, os sentimentos de plenitude, felicidade, vibração e muitos outros, se misturam e se confundem. Como escrever um texto imparcial? Desculpe, mas é impossível.

O Radiohead entra no palco exatamente às 20h52. A multidão vai a loucura, mas não como se fosse a primeira vez. Eu olho para os lados e vejo um público acostumado a ter a banda tocando em seu jardim. Acho que a primeira vez era só pra mim, mas isso não me importa. É estranho pensar que aqueles cinco personagens venerados por mais de 30 mil pessoas são também pessoas normais (ou quase) que tocam seus instrumentos como qualquer outra banda, mas tirando sons inexplicáveis deles. O guitarrista Jonny Greenwood, passa mais tempo “brincando” com suas parnafenalhas do que tocando seu instrumento de origem, ou melhor, esmurrando-o com palhetadas.

Durante as quase duas horas de show a banda pouco se comunica com o público. Um “grazie”, um “Ciao” e é só. Mas não confunda isso com antipatia. O controle de palco que a banda exerce sobre o público é impressionante. São diversos bastões de luzes espalhados pelo palco que funcionam em perfeita sincronia com a explosão do grupo. Explosão essa que vem em forma de sutileza através da voz aveludada e gemida de Thom Yorke. Seja no piano, na guitarra ou apenas cantando (e dançando de maneira bem particular), o vocalista da banda parece sentir a emoção de cada palavra que diz. O baixista Colin Greenwood a todo momento convida o público para bater palmas e distribui sorrisos para seu colega de cozinha, Phil Selway que, como os outros integrantes, fica extremamente concentrado em seu ofício.

O set-list privilegiou as canções do novo álbum, In Rainbows mas a banda fez um ótimo apanhado de todos os seus discos anteriores (com excessão do Pablo Honey, de 1993). “Paranoid Android” levou as pessoas do segundo dia de show ao delírio da mesma maneira que “Karma Police”, no primeiro dia, gerou o mais bonito coro que já ouvi ao vivo. Mas o que menos importa em um show do Radiohead são as músicas em si. Evidentemente que a emoção de ouvir uma canção inesperada como “Just”, do The Bends, é incontrolável, mas, sinceramente, essa emoção é pequena se comparada a cada pausa, cada interpretação, cada luz que é sincronizada perfeitamente com os movimentos do grupo. Mas como segurar as lágrimas na inesperada aparição de “Lucky” no repertório?

Sorrisos é o que mais se vê nas caras vizinhas. É como se uma expressão dissesse: “Esses caras são foda e eu to vendo ao vivo” e a outra respondesse “Não é um dos dias mais bonito de nossas vidas?!”. É.

Radiohead (Foto: Gabriel Gurman)

Setlist (17/06)

15 step
Bodysnatchers
All I need
Lucky
Nude
Pyramid Song
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Myxomatosis
Faust Arp
Videotape
Optimistic
My Iron Lung
Reckoner
Everything in its Right Place
Exit Music
Jigsaw Falling Into Place

1º Bis

Karma Police
There There
Bangers + Mash
Climbing Up The Walls
Street Spirit

2º Bis

You and Whose Army?
Idioteque

Setlist (18/06)

Reckoner
15 Step
The National Anthem
All I Need
Nude
Airbag
The Gloaming
Dollars And Cents
Weird Fishes/Arpeggi
Faust Arp
How To Disappear Completely
Jigsaw Falling Into Place
A Wolf At The Door
Videotape
Everything In Its Right Place
Idioteque
Bodysnatchers

1º Bis

House Of Cards
There There
Bangers And Mash
Just
The Tourist

2º Bis

Go Slowly
2+2=5
Paranoid Android

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