Com os olhos voltados para a cena musical da capital pernambucana, o Porto Musical retornou ao Bairro do Recife este ano, após ter a edição do ano passado cancelada por falta de recursos financeiros. O evento, que teve início nesta quinta-feira (1°), conta com uma programação composta por diversas atividades como seminários, oficinas, rodadas de negócios, conferências e shows gratuitos, distribuídos entre os teatros Apolo e Hermilo Borba Filho, o Paço do Frevo e a Praça do Arsenal.

Realizado pela Fina Produção e Astronave Iniciativas Culturais, em cooperação com a WOMEX e Porto Digital, o evento tem como objetivo fazer negócios, novos contatos, parcerias, desenvolver ideias e projetar visões de mundo.

Durante os três dias da convenção, o Porto Musical procura questionar e trilhar os caminhos possíveis para a música independente. Foram convidados para o evento produtores e profissionais envolvidos na cadeia executiva de muitos dos principais festivais de música do Brasil como Anderson Foca, do Festival do Sol (do Rio Grande do Norte), e Fabrício Nobre, do Festival Bananada, realizado em Goiás.

Aos poucos, o público chegava para assistir aos shows na noite de abertura. O Som na Rural, que completa dez anos de existência, participa dos três dias do evento, na Praça do Arsenal. Nesta quinta, o charmoso automóvel musical do produtor Roger de Renor recebeu o Mestre Zeca do Rolete. Ele apresentou uma sambada de coco, acompanhado por esposa, filhos e netos. Zeca contou piadas, soltou bordões e apresentou coreografias engraçadas, lembrando um velho de pastoril profano.

Primeira atração da noite do Palco Arsenal da Marinha, a cantora Isadora Melo trouxe músicas do repertório do seu disco de estreia, Vestuário, além de outras canções conhecidas de seu repertório, cantadas algumas delas em meio ao público, que a seguiu em coro pelos versos, em uma performance marcada por improvisações. A dicção poética de Isadora faz a cantora parecer cantar com a leveza de quem borda cada verso.

Rodadas de negócios rolando no Porto Musical. (Divulgação).

Em seguida, a cantora e rabequeira paulista Renata Rosa, velha conhecida também por participações musicais em grupos como Comadre Fulozinha e Mestre Ambrósio, subiu ao palco. A artista cantou músicas do álbum Encantações. Vivendo há anos em Pernambuco, influenciada pela cultura local, o show contou com diversos ritmos populares do Nordeste, como o coco, a ciranda e o cavalo-marinho, além de cantos indígenas e referências ibéricas e árabes.

Depois dela foi a vez de Jr. Black. Com a ameaça de chuva no Bairro do Recife, parte do público acabou indo embora, com o avanço da hora. Com sua música negra americana e referências do samba, o cantor não conseguiu animar o público a ponto de levá-los a dançar. Fez uma apresentação um tanto morna.

Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mestre Galo Preto mostrou o talento para as rimas, com arranjos de pandeiro e a força da tradição dos emboladores e repentistas, apesar dos percalços com a voz um pouco comprometida. “É um coco trava-língua, tradição da cultura popular”, pinçou o mestre.

Com as atenções focadas para o fortalecimento do canto negro feminino, a banda IFÁ, da Bahia, fechou a programação da noite, destacando a conexão entre a música instrumental e vozes negras femininas, ressaltando a musicalidade africana. A maior parte dos artistas foram pontuais, exceto a banda IFÁ.

No total, o Porto Musical contam com 30 profissionais da música, entre artistas, produtores, bookers, selos e distribuidoras, que participarão dos encontros com o público, com 44 atividades e 15 showcases.

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