CARNAVAL SÓ SE FOR AGORA
Orquestra Imperial leva sua gafieira à São Paulo e provoca catarse
Por Mariana Mandelli, texto e foto

Orquestra Imperial – 23 de Agosto 2007
Citibank Hall, bairro de Moema, São Paulo

Antes dominando a noite carioca com bailes disputados, a Orquestra Imperial agora parte para novos horizontes: palcos de casas de show de todo o Brasil, para a divulgação do primeiro álbum dessa big band brasileira: Carnaval Só No Ano Que Vem. No Citibank Hall, em São Paulo, Thalma de Freitas, Nina Becker, Moreno Veloso, Rodrigo Amarante, Nelson Jacobina, Pedro Sá, Bartolo, Rubinho Jacobina, Berna Ceppas, Kassin, Domenico, Leo Monteiro, Stephane San Juan, César Farias “Bodão”, Wilson Das Neves, Felipe Pinaud, Max Sette, Bidu Cordeiro e Mauro Zacharias deixam muito carisma, alegria e ritmo contagiantes escorrerem do palco e atingirem em cheio um público que absorve tudo com muita receptividade.

Ao vivo, a banda ganha um peso que transpassa os limites de qualquer compacto. E esse peso é físico – são 19 pessoas só da banda “oficial” no palco – e musical. Não há estrelas: todos os membros têm peso e importância igual nessa amálgama musical que é a banda. Entretanto, Thalma de Freitas e Nina Becker, únicas mulheres do grupo, emergem como divas, musas do samba e verdadeiras ninfas no palco.

No repertório, o único álbum da O.I. está inteiro na primeira parte do show, desde a malemolência de canções como “O Mar E O Ar” e “Jardim De Alah” até o samba sacana de “Ereção” e a nostalgia de “Era Bom”. As canções do EP (como “Obsessão” e “Sem Compromisso”, por exemplo), além de composições de Noel Rosa e clássicos como “Eu Bebo Sim” fazem parte da segunda metade da apresentação, em que a O.I. domina palco e público com sua instrumentação impecável – prova disso está na execução deliciosa dos arranjos elaborados de “Popcorn”.

A confluência dos metais, guitarras, trompetes, percussões, piano, sopros e vozes é de uma harmonia pouco vista na música brasileira. Além disso, as participações especiais de Jorge Mautner, guru musical da banda, e do metaleiro Andreas Kisser (Sepultura) enriquecem o espetáculo e colocam a platéia – repleta por paulistas mais tímidos e curiosos do que animados – para dançar. É certo que o espaço de uma casa de shows como o Citibank Hall é restrito, ainda mais com lotação esgotada. Mas é impossível não se deixar levar pelo baile carioca de gafieira da Orquestra Imperial – nem São Paulo resistiu.

[+] – Crítica do primeiro disco da Osquetra Imperial, Carnaval Só Ano Que Vem

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