O QUE APRENDEMOS COM O GLOBO DE OURO
Braços assustadores, filme preto e branco roubando a cena, Morgan Freeman de vampiro, briga de divas e Woody Allen sendo ele mesmo: o que vimos de mais interessante na premiação este ano

Por Paulo Floro

Veja todos os vencedores do prêmio este ano

SOFIA VERGARA SABE COMO ROUBAR A CENA
Falando em espanhol com sotaque exagerado igualzinho à sua personagem Gloria, em Modern Family, Sofia Vergara roubou a cena ao receber, ao lado de todo o elenco, o prêmio de melhor série de comédia. Foi, pra muita gente, o melhor momento da noite. Mas, bom mesmo foi ver a série levando mais um prêmio, já que é uma das melhores coisas que a TV viu em 2011.

OS BRAÇOS DE ANGELINA JOLIE E MADONNA COMPETINDO
Madonna chegou assustando no tapete vermelho, com cruz de lantejoulas no pescoço e uma luva à Ana Maria Braga. Mas o que aterrorizou mesmo foram seus braços, magérrimos, musculosos e cadavéricos. Na hora de apresentar o prêmio de melhor roteiro, foi Angelina Jolie que chocou com os dois gravetos pendurados que tiravam a atenção de sua incrível produção. Os membros chegaram a ganhar a hashtag #bracosdemadonna e #bracosdeangelina. Na luta pelo prêmio em dar sustos, vence Jolie. Não são poucas os rumores de uma possível anorexia, e de Madonna já nos acostumamos com esse belo (só que não) exemplo de musculação extrema.

MORGAN FREEMAN DE DRÁCULA NUMA BANHEIRA
Morgan Freeman recebeu o prêmio-homenagem Cecil B. De Mille das mãos de Sidney Poitier e fez um discurso lindo. Mas o que mais chamou atenção foi a edição do clipe com seus filmes que o mostrou em uma raridade trash até então desconhecida. Freeman é um vampiro e está tomando banho em uma banheira em formato de caixão. A cena faz parte de um episódio de The Electric Company, em 1974 e parece mentira de tão absurda.

WOODY ALLEN CONTINUA ABUSADO COM PRÊMIOS (E ESTÁ CERTO)
Muita gente torcia por Meia-Noite em Paris, um dos melhores filmes de Woody Allen nos últimos anos, mas tinham receio de que levasse o prêmio por conta da sua aversão à premiações como o Globo de Ouro e o Oscar. E não deu outra. Allen levou o troféu de melhor roteiro (anunciado por Angelina Jolie), mas não deu às caras no Beverly Hilton. Foi bom ver que ele continua o mesmo. Tem surpresas que é bom não presenciar.

MADONNA E ELTON JOHN NÃO ESTÃO SE ENTENDENDO
Antes de Madonna levar o prêmio pela canção “Masterpiece”, presente no filme W.E., um dos mais tripudiados pela crítica no ano passado, Sir Elton John alfinetou a cantora, dizendo que ela não tinha condições de ganhar. Depois, na mini-coletiva que os artistas dão à imprensa, Madonna foi elegante e irônica com Elton. “Ele vai ganhar alguma outra premiação”. E essa briga de divas é antiga. Elton já falou mal de “Die Another Day”, trilha de 007 – Um Novo Dia Para Morrer e a criticou por dublar em seus shows. E ele não gostou nada de perder, como mostrou a edição do Globo no momento exato em que Madonna foi anunciada.

O ARTISTA DEVE GANHAR O OSCAR (E VAI PASSAR NO BRASIL)
Durante a exibição dos Globos, foi dito que O Artista não tinha distribuidor no Brasil por ser muito difícil de ser vendido nos cinemas: belga, mudo e em preto e branco. Depois, já com a vitória de Melhor Filme de comédia ou musical, uma nova atualização: a estreia por aqui será dia 10 de fevereiro. O filme, que fala da transição do cinema mudo para o falado e tem atores franceses e americanos, deve também levar o Oscar. Por mais “estranho” que possa parecer, trata-se é uma homenagem ao legado que o cinema americano deu ao mundo, e isso deve tocar os corações de todos na Academia de Artes e Ciências.

STEVEN SPIELBERG NÃO LIGA PRO HERGÉ
As Aventuras de Tintin venceu o prêmio de Melhor Animação, concorrendo com filmes bem medianos (à exceção de Rango, de Gore Verbinski). Ao subir no palco, Steven Spielberg agradeceu a diversas pessoas, incluindo Andy Serkis, ator que ficou famoso ao popularizar a técnica de captação de movimentos usado no longa. Mas, esqueceu do mais importante: o criador do personagem, o quadrinhista belga Hergé. Pode parecer pouco para a indústria do cinema, mas foi no mínimo “deselegante”. Ao contrário de outras obras que se popularizam nas telonas, o jornalista Tintin já é famoso no mundo inteiro e o longa de Spielberg deve muito a isso.

NINGUÉM GOSTA DO RUBENS EWALD FILHO (SÓ A TNT, PARECE)
Os tuítes mais engraçados durante o Globo de Ouro foram de pessoas criticando os comentários do crítico Rubens Ewald Filho. Difícil alguém endossar algo que ele disse, seja falando mal de Jessica Lange, menosprezando travestis para elogiar Michelle Williams e errando palpites segundos antes de anunciarem vencedores. Boçal e trazendo poucas informações úteis sobre o que estamos assistindo, fica difícil imaginar porque ainda somos obrigados a acompanhar sua narração de todos os prêmios importantes do cinema por tantos anos. Em 2012, não tem nenhum outro crítico – mais carismático – que possa encarar esse papel? Rubens só perde em baixa popularidade para José Wilker comentando na Globo. O que nos lembra que é bom não reclamar tanto.

JESSICA LANGE FOI BEM MERECIDO
Oh, Jessica Lange. Um dos motivos para amar American Horror Story é a presença dela como a misteriosa Constance, a vizinha que parece saber muito sobre os velhos habitantes de uma casa mal-assombrada. Ela agradeceu ao papel no palco e disse que é cada vez mais raro encontrar pequenas obras de arte como esse seriado. Saiu muito aplaudida (menos por Ewald Filho, que pareceu não entender seu papel e a chamou de “atriz decadente”). O seriado acabou perdendo como Melhor Série Dramática para Homeland, que ainda teve Claire Danes como Melhor Atriz.

NÃO DÁ MAIS PARA PREVER O OSCAR COM O GLOBO DE OURO
Uma das coisas que fez a fama do Globo de Ouro no Brasil foi que ele sempre serviu para antecipar os vencedores do Oscar, este sim, uma unanimidade por aqui há muito tempo. E apenas cinco vezes, as duas premiações não repetiram os vencedores na categoria Melhor Filme. O que vimos nesta edição foi que ninguém saiu favorito ou com hegemonia entre os prêmios. Os concorrentes revezaram-se nas vitórias, o que fica difícil para que os Globos sirvam como termomêtro desta temporada.

O caso de Melhor Filme é o mais curioso: O Artista levou como Melhor Filme de Comédia ou Musical e Os Descendentes ficou com o de Drama. Como no Oscar, não há essa diferenciação entre gêneros, ambos saem como favoritos, com vantagem para O Artista. Sempre foi raro um longa de comédia dos Globos repetir o feito na festa da Academia, e isto é outra coisa peculiar. No prêmio de direção, Martin Scorcese foi o azarão da noite pelo seu filme em 3D, A Invenção de Hugo Cabret. Só que o Oscar já premiou Scorcese por Os Infiltrados e Clooney tem lobby para ser reconhecido, finalmente, como diretor em Tudo Pelo Poder. Sem falar, de novo, de O Artista, na velha casadinha Melhor Filme e Diretor, tanto visto no Oscar.

RICKY GERVAIS FOI DOMADO (OU ACERTOU O TOM DESSA VEZ)
Ele continuou insultando atores ao apresentá-los, menosprezou a própria premiação que apresenta e segue bebendo no palco – e fazendo ode a isso. Mas, não vimos o mesmo Gervais da última edição, ácido a ponto de incomodar e constranger os presentes. Para muitos, ele, enfim encontrou o meio-termo ideal do seu humor. Será?

Todas as fotos: Divulgação / HFPA – Golden Globe

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