SOTAQUES PERNAMBUCANOS E VOZEIRÃO DO RAIN MACHINE SÃO DESTAQUES NO PRIMEIRO DIA DO COQUETEL
Siba apresentou seu Avante no palco e Os Sertões fez sua estreia

Por Paulo Floro Colaborou Fernando de Albuquerque
Fotos por Dellany Meira

O sotaque deliciosamente carregado de Siba encerrou a primeira noite do festival No Ar Coquetel Molotov, que aconteceu no Teatro da UFPE, no Recife. “Como é ótimo tocar em casa. Sei que deve ter dois ou três músicos na plateia que sabem como é essa sensação”, disse o cantor. O público também sabe como é. Marcado por uma sonoridade que remete à oralidade pernambucana, o músico fez das consoantes secas um belo artifício para cantar do jeito que a gente fala. No palco do Coquetel, todo mundo se reconhece em Siba.

Ele começou o show com uma sequência de faixas de Avante, seu novo disco, lançado em janeiro. “Ariana”, “Preparando o Salto”, “Bravulha e Brilho”. A noite ainda instigou a plateia a se levantar no teatro, rebolar/dançar e cantar faixas já transformadas em hits do álbum, como “Canoa Furada” e “Cantando Ciranda na Beira do Mar”. “É incrível ver gente cantando músicas que você fez sozinho em um quarto de hotel”, diz Siba.

Trabalho mais pop de Siba, conhecido por fazer parte de seu antigo grupo, a Fuloresta do Samba, o cantor apostou em uma produção que equilibra bem as referências culturais da Zona da Mata, ao mesmo tempo em que namora toques mais contemporâneos. O show desse disco funcionou ainda melhor em um teatro, em que o som se perde menos e é mais nítido. Os lançamentos anteriores de Avante – ao vivo, em palco aberto no Recife Antigo – apesar de serem intensos, não conseguiram captar todas as nuances como esse show do No Ar.

Antes de Siba, outro show que deixou o público atônito foi o Rain Machine. O vocal de Kyp Malone era tão potente que interrompeu a dispersão de público. Entre uma música e outra, um respiro. E foi assim até o final, alternando apenas alguns “obrigado”, em português ruim. O show da banda, projeto solo deste integrante do TV On The Radio, tem muita influência de jazz, eletrônico, mas chama atenção mesmo pelas guitarras e a voz de Malone. É uma apresentação que reforça a vocação do Coquetel para shows de tons elevados (quem lembra do The Kills?).

Os Sertões fez sua grande estreia em palco no Coquetel. Nova banda do ex-integrante do Cordel do Fogo Encantado, Clayton Barros, a banda traz um caráter pop às referências sertanejas. Trouxeram para o palco um enorme painel com a capa do disco, um releitura de Sgt Peppers Lonely Heart Club Band, dos Beatles. As faixas do disco funcionaram bem ao vivo e mostra que a banda tem muito potencial para inovar nessa eterna busca de referências do interior. O show foi tão intenso, que pareceu mais curto do que realmente foi. Com faixas bem aceitas pela plateia, nem precisava ter tocado uma música do Cordel ao final.

Lucas Santtana

Talvez a única nódoa da noite tenha sido o show de Lucas Santtana. Com um ótimo disco lançado este ano, O Deus Que Devasta Mas Também Cura, o músico baiano fez um show irregular. A escolha do repertório pode ter contribuído – assim como seu carisma um tanto excêntrico (citando pó de guaraná e sensualizando com barriguinha branquela). Faltou explorar mais o tanto de hits presentes no álbum novo. O melhor momento foi quando Santtana pediu que a plateia subisse ao palco para dançar carimbó. Pouca gente atendeu, mas uma menina em especial deu um show, paralisando todo mundo que esperava o show do músico acontecer.

Sala Cine
O primeiro dia da Sala Cine UFPE, de shows gratuitos, teve como destaque os suecos do Mary Onettes, que retoma o namoro que o festival tem com a Suécia. Já o Garotas Suecas trouxe ao Recife o show do seu elogiado disco Escaldante Banda.

Neste sábado, o festival traz shows de Tagore, o experimentalismo do ruído/mm, Yeti Lane, da França e a estreia do duo Madrid, formado por Marina Velloso e Adriano Cintra. No palco principal, destaque para Moraes Moreira, que vai cantar na integra o disco Acabou Chorare. Antes, Thiago Pethit e Vitor Araújo lançam seus novos discos.

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