O desdém contra os documentários está se tornado uma coisa do passado. Pelo menos é o que atesta o braço recifense do Festival É Tudo Verdade, que começou na última quinta-feira no Cinema da Fundação (Derby) e terminou neste domingo. Com sessões hiperlotadas (gente saindo até pelo ladrão, como se diz), a minimostra se efetiva como uma janela importante das importantes produções de não-ficção da atualidade.

Ontem, sábado, havia quem não se importasse com o desconforto e sentasse pelas escadarias mesmo (lembrando priscas eras em que a Fundaj tinha cadeiras de madeira, e parte do público não raro se “acomodava” pelo chão). Foi assim na exibição de Sem Fim à Vista (No End in Sight), polêmico documentário de Charles Ferguson sobre a Guerra do Iraque, indicado ao Oscar deste ano.

Antes, houve sessão de Geração 68, de Simon Brook. O vídeo, que sintetiza o espírito libertário e de contestação da juventude e a efervescência cultural que se alastrou pelo mundo, traz imagens interessantes de Woodstock, geração hippie, Beatles, Allen Ginsberg, além de depoimentos balizados da intelligentsia de 68 – o ator/diretor Dennis Hopper, o cineasta Milos Forman e o fotógrafo William Klein. Mas a produção se perde na profusão de ícones e vozes e, às vezes, cai na monotonia.

Sem Fim à Vista, que abriu o Festival é Tudo Verdade no Rio, empolga mais ao trazer à tona confissões e segredos dos bastidores da Casa Branca e do Pentágono. Embasado por entrevistas de chefes de estado e funcionários de alto escalão, o vídeo apresenta provas de que Bush e seus aliados fizeram uma desastrada intervenção no Iraque. Tem seu peso de denúncia legítima, mas se cerca de constatações óbvias. Ferguson parece ser mais um à linha panfletária de Michael Moore.

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