Foto: Osmar Lima/Divulgação.

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Uma banda é, parcialmente, sua obra e, em parte, a história que constrói com seus fãs.

Isso ficou claro neste sábado (3), na segunda apresentação da turnê nacional dos (Belém recebeu o show de estreia, e Fortaleza, Brasília, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro são as próximas cidades). O público do Recife pode assistir aos cariocas depois de três anos, no mesmo Classic Hall lotado que os aclamou na penúltima vinda, em 2012, como atração do Abril Pro Rock. Entre as mais diversas faixas etárias, a maioria era de jovens de vinte e poucos anos, ainda que se reconhecesse cantando todas as músicas os mesmos admiradores fervorosos que acompanham a trajetória de Marcelo Camelo (vocal), Rodrigo Amarante (baixo), Bruno Medina (teclados) e Rodrigo Barba (bateria) desde o primeiro álbum, de 1997.

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Passados 18 anos, o clima de messianismo não é para menos: a relação entre banda e cidade é antiga e guarda shows memoráveis como a apresentação no Armazém 14, no lançamento do disco 4 no Clube Internacional ou o Réveillon de 2007 no Marco Zero. E, individualmente, em suas carreiras solos, os integrantes até hoje não conseguiram arregimentar a mesma massa apaixonada que os segue como formação em grupo.

Foto: Osmar Lima/Divulgação.

Foto: Osmar Lima/Divulgação.

Lançado há menos de um mês, o documentário Los Hermanos – Esse É Só o Começo da Nossa Vida (de Maria Ribeiro) dá uma ideia aproximada do que é a energia da banda ao vivo. Ainda assim, cada experiência é intensa para quem aprecia e não deixa indiferente quem entra em contato pela primeira vez. Versos como de “O Vencedor”, “Além do Que Se Vê” e “O Vento” tem aquela característica atemporal de causar identificação em quem está no início da vida adulta na mesma proporção em que causa melancolia na faixa dos trinta. Foi um setlist bem equilibrado, com músicas do Bloco do Eu Sozinho, do Ventura, do 4 e até apostas pouco prováveis, como “Descoberta” e “Anna Júlia”.

Sentindo-se em casa, eles também mandaram “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “Retrato pra Iá Iá”, “Cadê teu Suin”, “Do Sétimo Andar”, “Samba a Dois”, “O Velho e o Moço”, “A Outra”, “Paquetá”, “Primeiro Andar”, “Tenha Dó”, “Último Romance”, “Deixa o Verão”, “De Onde Vem a Calma”, “Conversa de Botas Batidas” e “A Flor”. Já tradicionalmente, “Pierrot” sela o apoteótico fim.

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Velha violência

Infelizmente, no espaço que estava destinado à imprensa, um episódio de machismo com a repórter acabou comprometendo a integridade da cobertura do show. Um casal de convidados que estava de pulseira no mezzanino da casa se incomodou com a gravação de um vídeo e, a certo momento, o homem bradou: “Você não pode ficar na frente da minha mulher, sua puta”. Mesmo com a esposa pedindo para ele se desculpar e mesmo após os seguranças do lugar terem sido chamados e assistirem ao homem visivelmente alterado, ele seguiu tentando tirar o celular da repórter enquanto era registrado o episódio. Os seguranças justificaram que não podiam retirá-lo pois não ouviram as ofensas.

A Revista O Grito! repudia toda forma de misoginia, seja ela escrita, verbalizada, expressa literal ou subjetivamente, por acreditar que aquiescer para qualquer dessas atitudes corrobora com a violência sofrida diariamente pelo gênero feminino.

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