PUNK, DOIDA, ATÉ O CHÃO!
Pinotando no palco num tom mais descontraído que suas antigas apresentações mais teatrais, Karina Buhr celebra seu melhor momento

Por Paulo Floro

Karina Buhr chegou toda piriguete, engatinhando entre os músicos, arrodeando o palco, sentando na caixa de som pra cantar, esganiçando no microfone, pulando, dançando, se enrolando nos fios. No show de lançamento do seu novo disco, Longe de Onde, a cantora baiana radicada no Recife fez de seu show uma celebração do seu bom momento na carreira. E o melhor é que foi tudo num tom descompromissado, cheio de deliciosas imperfeições, como muito não se via na cena independente.

Mais do que lançar mão de uma apresentação azeitada, correta, Karina decidiu fazer um espetáculo que tinha muito de punk, muito de burlesco. Foi ótimo vê-la sair da proposta artsy que muitas vezes a deixou um tanto contida. Agora, a vendo gritar seus hits enquanto rebola, percebemos mais segurança. O espetáculo foi muito bem produzido, bem orquestrado para deixar a cantora solta e livre de preocupações.

A luz a perseguia e colocava muita cor no palco do Teatro da UFPE. O cenário era mínimo, apenas com os integrantes da banda e ela. Não teve nem apetrechos, como vimos no show que fez no Abril Pro Rock do ano passado. Veio com uma banda dos sonhos pra maioria dos artistas que labuta na cena indie hoje em dia: Fernando Catatau, do Cidadão Instigado e Edgard Escandurra, nas guitarras, Guizado, como trompetista, Mau (baixo), Bruno Buarque, na bateria e André Lima nos teclados. Os mesmos que também participaram da gravação do álbum.

Com a presença de uma banda tão boa, Karina sentiu-se livre para todo tipo de experimentação vocal. E tudo acabou dando muito certo, ainda que alguns problemas no som tenham comprometido certas músicas, mas nada que prejudicasse o resultado final. Com um som mais cru que sua estreia solo um tanto malemolente, as faixas de seu segundo disco ficaram ainda mais impactantes ao vivo, com muito peso. Faixas como “Copo de Veneno”, “CaraPalavra” (tocada no bis), e “Não Me Ame Tanto” e “Guitarrista de Copacabanas”.

Karina parece ter encontrado o tom certo com menos pretensão e uma doidice desmedida que funciona muito bem no palco.

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