Joss Stone - Via Funchal | São Paulo (Foto: Larissa Tabosa)

MENINA SUPER-PODEROSA
Elegante e performática Joss Stone mostrou ao público brasileiro os motivos pelos quais carrega Aretha Franklin e Janis Joplin nos vocais

Por Mariana Mandelli. Fotos: Larissa Tabosa

Um vozeirão que sai sem fazer força, um jeito sexy sem intenção e uma presença de palco luminosa, quase espiritual. Quem viu Joscelyn Eve Stoker, mais conhecida como Joss Stone, 21 anos, no palco da casa de shows paulistana Via Funchal, no último dia 16, pôde constatar que o principal atributo da cantora é a naturalidade com que ela se comporta, como se fosse uma menina qualquer e não a neo-diva do soul mais exuberante do mundo pop.

Com quase uma hora de atraso (em plena segunda-feira), casa lotada e ar-condicionado desligado (o que culminou em um calor infernal), a noite tinha tudo para dar errado. Depois de um show de abertura de Jairzinho (com participação de sua irmã Luciana Mello), a banda de apoio de Joss – que de apoio só tem o nome, porque eles são um show à parte – entrou e fez uma introdução arrepiante. Do baterista ao guitarrista, passando pelos teclados, sax e trompete, e chegando ao incrivelmente energético trio de backing vocals, tudo parecia impecável para receber a tão esperada menina de voz poderosa.

Descalça (como é de costume) e com um vestido prata curtíssimo colado ao corpo, Joss entrou entoando a deliciosa “Girl They Won’t Believe It”, seguida pelo balanço de “Headturner” e pela lindíssima “Tell Me What We’re Gonna Do Now”, todas de seu último disco, Introducing Joss Stone (2007) e em versões com arranjos diferenciados – mas sem deixar a inspiração na black music de lado.

O hit “Super Duper Love (Are You Diggin’ On Me?)”, do debut The Soul Sessions (2003), levantou a platéia. A sensual “Jet Lag” veio em seguida, fazendo as vezes para “Arms Of My Baby” e para a belíssima balada “The Chokin’ Kind”, também do primeiro disco. Conversando com a platéia em um tom de voz baixo perto de seu potencial vocal, Joss dançava e passeava pelo palco entre sorrisos tímidos. Disse que todos estavam ali por um só motivo, o amor pela música. Ela soltou “Music”, gravada originalmente com Lauryn Hill. O que veio em seguida foi uma set list perfeita para os fãs da cantora: “Fell In Love With A Boy” (do White Stripes), “Put Your Hands On Me”, “Baby Baby Baby”, “Don’t Cha Wanna Ride”, “Less Is More” e “You Had Me” (as três últimas de Mind Body and Soul, de 2004), uma atrás da outra, para a alegria irrefutável da platéia.

Simpática, a cantora brincou dizendo que os meninos é que deveriam se declarar sempre para as meninas. Aproveitando a deixa, emendou “Tell Me ‘Bout It”, em que apresentou sua excelente e performática banda, fazendo a música durar muito mais do que seus quase três minutos originais. No bis, Joss já entrou no palco com a banda tocando “Victim of a Foolish Heart”. Perguntando para o público se ele queria ouvir “Right To Be Wrong”, a cantora tocou a mão dos sortudos que estavam na beira do palco e, tímida com os gritos da platéia, não conseguia terminar a canção porque caía no riso com os elogios gritados do meio da casa de shows.

Depois de lançar uma versão soul de “No Woman No Cry”, Joss Stone distribuiu flores para os fãs e terminou com um trecho “Tell Me What We’re Gonna Do Now” novamente. Sorrindo muito, ela deixou o palco agradecendo a um público encantado com seu talento, humildade e charme. Foi assim que a noite paulistana mais gelada do ano foi aquecida pela menina que concentra Aretha Franklin e Janis Joplin nas cordas vocais, em um dos shows mais deliciosos do ano.

Joss Stone – Victim of a Foolish Heart | Via Funchal (SP)
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