Foto: Reprodução/Facebook.

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Quem nunca sofreu por amor que faça a primeira macumba
vai do fundo do poço ao bailinho de Carnaval para contar a trajetória de uma paixão

Por Isabelle Figueirôa

Um show musical. Um espetáculo cênico. Uma declaração de vingança que vai do desespero à superação de uma desilusão amorosa. A apresentação do cantor Johnny Hooker no Teatro Luiz Mendonça, na noite dessa sexta-feira (27), no Recife, foi uma catarse emocional para os fãs, afinal, quem nunca sofreu por amor que faça a primeira macumba. Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito! é o nome do primeiro álbum de Johnny, lançado no início do ano como um dos mais vendidos e acessados nas principais plataformas de streaming (Deezer, Spotfy), mas poderia ser o título de uma tragédia teatral.

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O ator/cantor começa a peça com uma declaração de vingança, a exposição de uma dor sem fim, chega ao fundo do poço até a expurgação desse sofrimento, que culmina num verdadeiro bailinho de Carnaval. Com a maquiagem e figurino característicos (impossível não lembrar de Ney Matogrosso) – neste show ele acrescentou umas mangas de tecido preto cintilante que contrastadas com as luzes do cenário eram semelhantes a penas. Johnny não parou um minuto e explorou todos os cantos do palco, ora se arrastando, ora saltitando.

A voz é um mosaico dos timbres de Cássia Eller, Cazuza e Maria Bethânia. Além do repertório autoral (“Alma Sebosa”, “Chega de Lágrimas”, “Amor Marginal”), Johnny Hooker cantou covers, como “Wicked Game”, de Chris Isaak. Na canção “Boyzinho” a surpresa ficou para o duelo entre a percussão de Tiago Duarte e a guitarra de Felipe Soares.

O espetáculo começou com meia hora de atraso em função da troca dos vouchers, já que os ingressos foram vendidos exclusivamente pela internet. É algo que a produção do teatro precisa rever para não causar confusão em outros shows. Além disso, a qualidade do som, cheio de ruídos, é outro ponto a melhorar na casa. Johnny era só gratidão entre os conterrâneos. No bis entoou “Volta”, famosa por ser trilha sonora do premiado filme Tatuagem, e um pout-pourri de frevos com Bandeira Branca, É de fazer chorar e o seu Desbunde geral.

Foto: Isabelle Figueirôa/RevistaOGrito!.

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