RECIFE VOLTADO PARA O MUNDO
II Janela Internacional de Cinema reúne produções nacionais e de fora do país em sintonia
Por Rafaella Soares

Um festival com a liberdade de passear pelo audiovisual experimental e o respaldo de trazer o novo Almodóvar. Assim podemos definir a 2ª Janela Internacional de Cinema do Recife, em cartaz no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco desde a última sexta-feira (16). Até 24 de outubro, com sessões também no Cine Teatro Apolo, 72 curta metragens (35 nacionais e 37 internacionais, entre eles 8 curtas pernambucanos selecionados em 57 trabalhos recebidos de dentro do Estado) serão exibidos. A curadoria da mostra ficou a cargo dos críticos Klebér Mendonça Filho e Fernando Vasconcelos, da produtora Emile Lesclaux, o roteirista Luiz Otávio Pereira e do jornalista Rodrigo Almeida.

São 19 países que compõem a seleção internacional: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Hong Kong, índia, Inglaterra, Itália, Japão, Malásia, Paraguai, Portugal, Rússia, Suécia e Tailândia, um trabalho ambicioso e bem feito de garimpo que agrega valor à cidade quando o assunto for olhos atentos à produção de toda parte do mundo.

Na noite de abertura, uma sessão de curtas de várias partes do mundo deu o tom de diversidade em formato e temática. Horn Dog (EUA, 4’30), quarto filme da série de animação indicada ao Oscar, rápido e bem engraçado, na linha “Happy Three Friends”, desenho animado politicamente incorretíssimo e sangrento que era exibido na MTV. Animação boa é aquela que sintetiza interpretação no traço hiperbólico dos personagens. Já “98001075056” , segundo diretor Felipe Barros, presente no encontro dos realizadores, é uma homenagem aos seus avós, suas raízes, mostrando um trabalho de deteriorização de fotografias para registrar a passagem do tempo. A seqüencia quase impronunciável de números é o seu RG.

Com apenas, 60 segundos, 100 em 1 de André Pinto, o tempo passa na duração de uma frase. Qual mesmo? Nem dá pra registrar, mas cabelos e barbas ficam brancos. Videotape, de Wolfgang Jaser, Claus Winter é na verdade um clipe conceitual da música da banda inglesa Radiohead, campeão na Mostra de Curtas de Oberhausen – seleção alemã que escolheu clipes de bandas consagradas feitos por fãs.

Na esteira de recém lançados filmes que resgatam a cultura de alguma década (como Alô, Alô, Teresinha, exibido no último CinePe), Minani em Close-up (Thiago Mendonça, SP, 19′) foi de longe o melhor curta da noite. A história do cinema da Boca do Lixo nos anos 70 a partir da ótica do editor da revista Cinema em Close-up, Minami Keizy. Personagem da lendária pornochanchada, como David Cardoso, uma de suas estrelas mais frequentes, discutem nesse documentário divertido e graficamente ligado à estética da época o apogeu e esquecimento de uma das eras masi rentáveis do cinema nacional, todo feito no esquema guerrilha.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, também teve sua estreia no festival, e é ambientado em várias partes do Nordeste.  A programação segue durante toda a semana. A Revista O Grito! continua a semana inteira com a cobertura do festival.

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