Interpol // Via Funchal São Paulo (Foto: HelenaN/ Flickr)
Foto: Helena (Flickr)

CALOR BRASILEIRO PARA NOVA-IORQUINOS
A frieza de Paul Banks e companhia foi se desintegrando conforme o show evoluía; “wow”, dizia Banks sorrindo entre uma música e outra
Por Mariana Mandelli, de São Paulo

Interpol
Via Funchal, São Paulo
Dia 11 de Março de 2008

Definição de “blasé” em qualquer bom dicionário: indiferente, insensível, apático, que não demonstra emoção ou interesse a estímulos. O adjetivo que mais define a postura do Interpol em relação ao público não se fez tão presente quanto de costume na noite de 11 de março, terça-feira, no Via Funchal, São Paulo.

A apresentação começou às 22h35, depois de um show de abertura dos gaúchos do Cachorro Grande, que durou cerca de 30 minutos. Sem dizer absolutamente uma palavra, a banda entrou e as guitarras e teclados de “Pioneer to Falls”, faixa que abre o mais recente disco, Our Love to Admire (2007), ecoaram pelo salão junto à voz grave de Paul Banks e aos gritos da platéia, que cantava desesperadamente cada verso. “Obstacle 1”, do primeiro trabalho, Turn On the Bright Lights (2002), veio em seguida para o delírio de um público se esgoelava em frente ao palco.

Acompanhados de um tecladista, Banks, Daniel Kessler (guitarra), Sam Fogarino (bateria) e Carlos “D” Dengler empolgaram os fãs com sucessos como “Narc”, “C’mere”, “Say Hello to the Angels”, “Mammoth” e “Rest My Chemistry”. Os pilares de iluminação no palco e projeção de imagens – algumas de animais caçando, como na capa de Our Love to Admire – davam a atmosfera sombria que impera no som do Interpol. Mas o clima dramático foi quebrado pelo calor infernal que fazia dentro da casa, resultado do aglomerado de gente, e pela postura mais acessível da banda.

A frieza de Paul Banks e companhia foi se desintegrando conforme o show evoluía: a cada faixa em que a voz da platéia se sobrepunha à sua, o cantor sorria e agradecia dizendo “wow” – talvez o máximo de interação com o público que a banda é capaz, com exceção do performático Daniel Kessler, que se esforçava nas guitarras e tocou diversas vezes à beira do palco .

Paul Banks // Via Funchal São Paulo (Foto: HelenaN/ Flickr)
Foto: Helena (Flickr)

Apesar do som do Via Funchal estar ruim – Banks pedia a toda hora para aumentarem o volume de seu microfone –, o quarteto de Nova York conseguiu momentos catárticos com os hits “No I in Threesome”, “The Heinrich Maneuver”, ambos do último trabalho, e, principalmente, com “Slow Hands”, “Evil” e “Not Even Jail”, faixas de Antics (2004), segundo trabalho do Interpol. Já “Scale”, “Hands Away” e a guitarra distorcida de “Lighthouse” não empolgaram tanto as mais de 5.000 pessoas presentes.

Em 1h30 de apresentação, a banda tocou 18 músicas. Pela primeira vez no Brasil, o Interpol conseguiu fazer um show que resumisse os dez anos da carreira da banda, apresentando uma set list com hits dos três álbuns. Prova disso foi o bis, a melhor parte do show, composto por sucessos de Turn On the Bright Lights, como a belíssima “NYC” e “Stella Was a Diver and She Was Always down”.
Ao encerrar com “PDA”, música que lançou o Interpol para o mundo, um Paul Banks nada soturno sorriu, mandou beijos para os fãs, agradeceu e disse “estar feliz por finalmente estar no Brasil”. Elogiou a platéia com um “you’re fucking awesome” e saiu, junto com os companheiros, embaixo de uma torrente de aplausos e sorrisos recíprocos.

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