Foto: Helena (Flickr)

INDIE, ROQUEIRO E ELEGANTE
Garotos do Interpol não são blasé, mas sabem manter a pose
Por Maria Carolina Santos, especial para O Grito!, em São Paulo

Horas antes da apresentação do Interpol no Via Funchal, um amigo do Recife, que já havia visto inúmeros shows Brasil afora, se dizia arrependido de ter ido ver a banda na capital paulista. Dizia ele que lá não tinha vibe para show de rock . O pessoal era blasé, não cantava junto, não se empolgava, blá, blá, blá. Lembrei bem desse comentário quando levei uma cotovelada no ombro de um menino que não parava de pular durante “C’mere”. O público era (muito) jovem, descolado e cheio de pose, mas nem de longe blasé.

Desde a primeira música todo mundo cantava junto com a banda. Em “Slow Hands”, então, o público foi ao delírio. Quando Paul Banks cantou “Can’t you see what you’ve done to my heart and soul?/ This is a wasteland now” o Via Funchal foi abaixo. A plenos pulmões, os meninos de all stars e as meninas de cabelos cortados à navalha que lotaram a casa não tiveram vergonha de admitir que, sim, já tiveram o coração partido.

Antes, na entrada, era fácil perceber que era um show badalado. Minutos depois da abertura do Cachorro Grande, a imensa fila de credeciamento de imprensa era maior até que a de retirada de ingressos comprados na internet. Lá dentro, figurinhas da MTV aos montes, como MariMoon e seus cabelos rosa-choque.

Se a impressão de que o público é meio cabisbaixo persistir, talvez seja porque ninguém fica “fazendo trenzinho” durante o show. Cada um escolhe o seu lugar e assiste o show inteiro lá. E se você tentar ir para a frente durante o show recebe alguns olhares de, no mínimo, desaprovação.

No palco, o atitude da platéia se repete. Os garotos do Interpol não são blasé, mas sabem manter a pose. Para surpresa de algumas garotas, Paul Banks não é tão bonito quanto parece nas fotos da banda. Tem um queixo alongado demais e é bem franzino. Mas faz tipo como ninguém. De guitarra em punho, cabelo caindo no rosto e cigarro no canto da boca ele é a tradução da palavra cool.

O guitarrista Daniel Kessler também não ficava para trás de chapéu de mafioso e terninho alinhado. O destoante da elegância do grupo era o baixista Carlos Dengler com o seu cabelo over, metade preto, metade branco, lembrando o coringa de Jack Nicholson.

Paul Banks cumpriu bem o be-a-bá dos artistas estrangeiros no Brasil. Falou que era ótimo estar lá e que o público era “fucking awesome”. Mas, claro, manteve a classe e não usou uma camisa 10 da Seleção Brasileira, nem se abraçou com a bandeira. Tudo bem elegantemente discreto.

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