VERDE POLÍTICO
Com exibições em terreiros de umbanda, circo e boates GLS, assume personalidade própria ao ser um dos poucos a falar sobre meio-ambiente

Por Ismael Machado
Colaboração para O Grito!, em Porto Velho (Rondônia)

Foto de Ali Karakas

A chuva começa a fazer parte novamente do cenário rondoniense. Com a proximidade do fim do ano, diminuem as queimadas que monopolizam os céus do estado, com uma fumaça que arde olhos e enfileira crianças nos postos de saúde. Mas o que antes era certeza, as chuvas intensas no final do ano, tornou-se indefinição. A cada ano, o rio Madeira, que margeia a capital Porto Velho, tem ficado mais seco. A estiagem é sempre maior. Seca e Amazônia, duas palavras que não costumavam ser associadas, agora andam juntas. É nesse panorama de mudanças ambientais que o Festcine Amazônia se consolidou na cidade.

“Infinita é nossa esperança e infinita é nossa luta” é o tema dessa edição, a oitava. O Festcine Amazônia talvez seja o único festival nacional dedicado a temas ambientais. É um desafio. Mas não poderia ser mais apropriado. É um festival que prima por uma diversidade interessante. Filmes são exibidos em terreiros de umbanda, em bairros da periferia, sob lonas de circo ou em boates GLS.

“Em quase uma década de criação, o festival democratizou o cinema, que é levado aos bairros e comunidades ribeirinhas, periféricas”, diz Jurandir Costa, um dos organizadores do festival. A cada ano, uma personalidade é homenageada. O documentarista Silvio Tendler e a cantora e atriz Zezé Motta serão os agraciados dessa edição.

Mais de 60 filmes, entre documentários, animações, ficção, fazem parte da edição 2010 do Festcine Amazônia. A noite de abertura, no dia 09, teve o lançamento do vídeo Horizontes e Fronteiras, dirigido por Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis e protagonizado pelo cantor e rondoniense Bado, num documentário que registra o encontro de música e cinema durante a mostra itinerante do festival no Peru e Bolívia.

“Arte e cultura são fundamentais para que haja uma integração maior entre os povos amazônidas”, diz o poeta peruano Arturo Corcuera, autor de mais de 40 livros em que o posicionamento político de esquerda é a tônica. Corcuera participou de um debate sobre integração latino-americana, junto a mais dois poetas, o boliviano Juan Carlos Crespo e o amazonense Thiago de Mello.

“Vivemos numa época consumista. A terra, a natureza estão mandando recados, mas é como se fossemos ferrados por uma formiga de fogo e em vez de cuidar procurássemos mais dez formigas para nos atacar”, metaforiza Thiago de Mello.

No encerramento do festival Zezé Mota faz uma homenagem a Elizeth Cardoso, uma idéia antiga da atriz. O show com o repertório da Divina acaba sendo um passeio por vários compositores brasileiros, de Tom Jobim a Cartola. De Baden Powell a Pixinguinha. Diverso. Como o próprio festival.

Sem mais artigos