DUPLA CELEBRAÇÃO PARA ABRIR O CARNAVAL
Eddie e Lirinha lançam os novos discos no Mercado Eufrásio Barbosa no maior clima de confraternização indie

Por Rafaella Soares
Fotos e vídeos de Fernando de Albuquerque

Dois dos nomes musicais pernambucanos mais originais dos últimos 20 anos estiveram reunidos na noite de sábado (7) para lançar “em casa” seus trabalhos mais recentes. As aspas se aplicam melhor à Lirinha (natural de Arcoverde), líder da antológica Cordel do Fogo Encantado, refeito em carreira solo. A Eddie estava no terraço de casa. José Paes de Lira, por sua vez, vivenciava a primeira apresentação por essas bandas desde seu monólogo, Mercadorias e Futuros, mostrado no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos, em 2008.

Leia Mais: Eddie e Lirinha
Mais guitarras no disco solo de Lirinha
“Adebayor” entre as melhores músicas de 2011

Baixe o novo disco de Eddie

As peripécias performáticas transcendentais (que invocavam dias líquidos em “Chover” – pedido sempre obedecido pelo céu) deram lugar às composições sóbrias e arranjos eletrônicos, um movimento natural desempenhado desde medalhões da MPB, até esse legítimo representante da música regional contemporânea. A exploração de outras sonoridades marca antes um amadurecimento individual (como é difícil fugir do lugar comum!), do que savoir faire puro e simples. Produzido por Pupilo e com participação dos conterrâneos Otto, Maestro Forró e o falecido Lula Côrtes (que deixou a parceria “Aderbayor” para a posteridade).

Essencialmente poeta, Lirinha mantém a posição de bardo, em composições que versam basicamente sobre amores e seus desdobramentos, nem sempre lineares. Pelo teor atemporal cheio de simbologismos, não causa estranhamento nem ao mais fervoroso seguidor da antiga banda, o que deve contribuir para manter interessados os fãs de antes (agora também em outro momento da vida). Fica evidente a evolução artística do músico. No setlist, “Noite Fria”, “Valete”, “Ah, se não fosse o amor”, “Electronica”, “Ducontra”, “Ela vai dançar” (parceria com a Eddie, gravada por ambos em registros distintos), e até “Lágrimas Pretas”, feita para a cantora Pitty, no projeto 3 na Massa. À vontade nesse novo papel, com uma banda experimentada, Lirinha não podia ter tido uma recepção melhor.

Se o show dele estava envolto numa expectativa compreensível, a Eddie era o grande anfitrião da noite. Lançando seu quinto disco de estúdio, do que pode-se considerar a mais longeva, heróica e autônoma carreira da safra precursora da geração Manguebit, Fabinho, Urêa, Kiko e André e Rob Meira entram com jogo ganho seja a circunstância que for. Estar em um show da banda Eddie é vivenciar uma alegria coletiva absolutamente contagiante. Os músicos tocam com prazer, porque estão de volta à (e o mercado Eufrásio Barbosa é mesmo uma casa pro quinteto), o público recebe efusivo, porque o clima é de prenúncio do Carnaval. Desfilam hinos (clássicos na maioria das vezes, conhecidos de cor pelos fãs locais, o que favorece o caráter de confraternização ‘alterna’ no recinto), vendem CD, chamam Erasto Vasconcelos. É sempre assim, e que bom. Tem invencionice que se deve evitar. Veraneio não é exatamente uma novidade, mas é a prova de fórmulas que dão super certo.

Segue-se um setlist com “Sentado na Beira do Rio”, “Danada”, “Lealdade”, “Olinda, cidade eterna”, “Não vou embora”, “Desequilíbrio”, “Vida Boa”, “Guia de Olinda”, “Pode me Chamar”, “É de fazer Chorar” e as novas “O Saldo da Glória”, “Tanta coisa na Vida”, “Veraneio”, “Ela vai dançar” (bem diferente da versão de Lirinha), “Parque de Diversão”, “Delírios Espaciais” e “Casa de Marimbondo”. Salvo engano, não tem cristão que não saia feliz.

Show de Eddie e Lirinha
Mercado Eufrásio Barbosa, Olinda
Sábado, 6 de janeiro 2011
Produção: Rec-Beat

Sem mais artigos