HISTRIONISMO NO COQUETEL
Segundo dia de apresentações fizeram a plateia delirar com Taken By Trees, Mad Professor, Emicida e Dinossaur Jr., este último em uma apresentação para guardar na memória

Por Fernando de Albuquerque
Editor da Revista O Grito!

Elucidar o quanto a produção do Coquetel Molotv foi azeitada, o quanto a volta para o Teatro da UFPE foi benéfica, o quanto a sincronia dos shows foi… correta seria chover no molhado. É notória a consolidação do festival. É notório, também, que o Coquetel vai muito além das apresentações do Teatro da UFPE e que, esse ano, ganhou o Teatro Apolo, o Nascedouro de Peixinhos, os debates na AESO e o Memorial Chico Science. Sem falar nos shows que foram para outras cidades antes e depois das apresentações oficiais. Apesar de pouco divulgadas na imprensa, as ações descentralizadas mostraram a força do Coquetel Molotov e a própria boa estrutura do evento. Pena que durou apenas dois dias.

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O segundo dia do Coquetel começou com apresentação d’A Banda de Joseph Tourton. Composta por Diogo Guedes (Guitarra e efeitos), Gabriel Izidoro (Guitarra, escaleta e flauta transversal), Rafael Gadelha (Baixo) e Pedro Bandeira (Bateria) eles apresentaram o repertório de música instrumental. Cheios de liberdade e sonoridade bem arejada eles combinam guitarras com sons eletrônicos e elementos suaves como a flauta e a escaleta. Este “abre” da segunda noite conduziu a plateia da saguão e do foyer direto para dentro do Teatro com uma euforia elegante e sem pretensões. Chamaram diversos convidados, entre eles o pianista Vitor Araújo e ainda soltaram uma música inédita, Alma Seca no final. O grupo é desde 2008 a grande aposta dos produtores do Coquetel, que já os colocaram na Sala Cine UFPE, em 2008. Não por acaso, Gabriel agradeceu e pediu aplausos para Ana Garcia, sua namorada e produtora do festival.

Eles encerraram contudo a participação pernambucana no Coquetel Molotov deixando passagem para o grupo sueco Taken By Trees. Capitaneado por Victoria Bergsman – a mesma que interpreta o mega sucesso do Peter, Bjorn And John, “Young Folks” – ela foi a grande diva da noite mostrando a todos o quão fofa pode ser uma performance e o quanto o impacto pode estar localizado nos mínimos detalhes. Antes de sua apresentação começar foi exibido um vídeo com imagens do Paquistão, local que serve de inspiração e mote para o último disco do grupo.

A plateia cumpriu todos os desejos da moça, ela pediu para que se levantassem…todos ficaram de pé. Quando ela pediu que dançassem, todos o fizeram. E assim continou. “Lost And Found” foi uma das músicas mais ovacionadas. Sequenciadas por “No Letting Go” e o hit do Aminal Collective, “My Girls”, que nas mãos dela virou “My Boys”. Ela fez brincadeiras com a quantidade avassaladora de público que via sua apresentação…“wow, what’s happening?”. Muita gente (que talvez não conhecesse o grupo) confundiu a fofura de Victoria com um certo ar de desprezo. Puro engano e pura bravata. Seu jeitinho despretencioso de segurar a pandeirola foi apaixonante e marcou o segundo dia.

Depois dela foi a vez de Mad Professor. Ele era um dos mais esperados e meio que decepcionou. Tocou rápido demais. Colocou sucessos para embalar e se retirou. Nada mais! Até ensaiou algumas palavras em português, mas não falou muito. E o que é pior, não tocou muito. A especulação de que ele tocaria do lado de fora até animou os participantes, mas a rapidez com que ele entrou e saiu deixou todos boquiabertos. A atração ficou meio desencontrada na escalação e talvez tenha a ver com o fato de ter sido colocado no festival de última hora, como forma de aproveitar a turnê pelo País.

Depois dele foi a vez do paulista Emicida. Junto com ele vieram uma orda de “manos” e “minas” todos a carater para verificar a apresentação do paulista. Ele é uma das maiores inspirações do hip hop brasileiro. Do lado de fora do Teatro os fãs de Dinossour Jr. se contorciam para que o show tivesse início. Foi Emicida acabar, a troca de aparelhagem se realizar que a invasão ao Teatro se deu. Os fãs de Dinossour Jr..

Sem conversar muito com a plateia eles mostraram o que todo mundo queria ouvir: rock pesado. A plateia não se sentiu intimidada com a altura das guitarras ou mesmo o vicejante histrionismo de quem estava no gargarejo. Quem estava ali, era para bater cabelo. E assim o fez. Em quase uma hora e meia de apresentação pôde curtir músicas do último disco da banda, Farm, lançado em 2009, ao primeiro disco. E, ainda ao final, uma emocionante interpretação de “Just Like Heaven”, clássico do The Cure.

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