Fotos: Larissa Alves (Blogue Roger) e Guga Matos (JC Imagem)

ESSAS PESSOAS DA SALA DE JANTAR
Depois de mais de trinta anos, Mutantes faz show histórico nos 15 anos do Abril Pro Rock
Por Rafaella Soares

MUTANTES
ABRIL PRO ROCK 2007
Recife, 13 de Abril 2007

Pé atrás não implica necessariamente pé frio. Graças a essa premissa, todos que estavam na noite da última sexta-feira 13, primeira noite do Abril pro Rock, em Olinda, presenciaram um show competente e emocionante da nova formação d’Os Mutantes, com Zélia Duncan nos vocais.

É de se esperar que o revival da maior banda de rock brasileira provoque reações inflamadas, afinal, muito do culto em torno deles deve-se à mágica vinda do trio Rita, Arnaldo e Sérgio, que dispensa maiores apresentações.

Mas até os fãs mais céticos foram rendidos na segunda apresentação brasileira da banda, abrindo o Festival Abril Pro Rock 2007. A decisão de trazê-los para Recife como uma das atrações principais começou bem antes da volta deles, segundo o produtor Paulo André Pires. Uma reunião marcada na casa de Sérgio Dias pela mulher dele (sem o conhecimento do guitarrista) teria dado início a toda a negociação sobre a volta. Se isso é lenda ou não, tanto faz, as especulações sobre o retorno tão esperado só serviram para aumentar ainda mais a expectativa da série de shows que eles estão fazendo em cidades privilegiadas.

Dando preferência aos clássicos da banda, como “Top Top”, “Virgínia”, uma versão mais longa e improvisada de “Cantor de Mambo” (que eu francamente confundi com “El Justiciero”), “Tecnicolor”, e preciosidades como uma bonita e tocante “Ave Lúcifer”, ou “La premier Bonheur du Jour” fizeram bonito ao lado de clássicos menos lembrados, como “Quem tem medo de brincar de amor”, seguida de “Desculpe Babe” (melhor momento da noite na minha modesta opinião!). As infalíveis “Panis et circenses” e “Bat Macumba” não poderiam faltar.

Com um Sérgio Dias desenvolto, simpático e assumidamente guitar hero, um Arnaldo vestido de paetês e lúdico como sempre (fechou a noite em saltos polichinelo!) e uma Zélia bastante respeitosa, porém com vigor nas horas certas, o show de Mutantes merecia bis intermináveis!

Nota:9,0

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