Suecos lançam pérola do pop melancólico
Por Paulo Floro

CLUB 8
The Boy Who Couldn’t Stop Dreaming
[Labrador, 2007]

club8-capa1.jpgAs paisagens oníricas propostas pelo som do Club 8 é peça importante no pop feito na Suécia. Mesmo sem lançar disco novo desde 2003, a influência do grupo é marcante entre a quase totalidade de bandas novas que se aventuram no estilo conhecido como twee. Responsáveis por desenvolverem o som pop melancólico, típico da Escandinávia, a banda formada por Karolina Komstedt e Johan Angergård se mistura em diversas outros estilos, entre eles o chill out, indie-rock e dance.

The Boy Who Couldn’t Stop Dreaming chega como uma jóia polida e valiosa. Como se a banda o tivesse produzido por anos. Johan Angergård, no entanto formou o The Legend e lançou três discos no hiato do grupo de 2003 a 2006. Bastante ligados à bossa nova quando surgiram em 1995, o Club 8 abandonou um pouco o estilo para se concentrar em música pop com feição roqueira. Neste novo álbum, ainda que discreto, o gênero voltou a dar às caras. Mas ele está lá escondido entre os futuros possíveis hits. É o caso de “In The Morning”, delicada balada com palminhas e violão.A voz sempre em primeiro plano, dá a impressão de música cantada ao ouvido. Por vezes, é possível ouvir sopros, respirações.

Com tantas opções de músicas delicadas e fofas, como o Club 8 conseguiu encontrar um espaço de relevância e moral entre todas elas? Tudo é muito calculado neste disco. Como veterenos, a dupla sueca teve o cuidado de utilizar todas as suas referências e estilos de modo seguro e criativo. Dessa forma, temos o dance de “Whatever You Want”, seguido por “Football Kids”, para então entrarmos na lúgubre “Hopes and Dreams”, com letra pessimista. Nessa montanha-russa de sentimentos, o Club 8 destila desde seus hinos melancólicos a cativantes canções para dançar junto. Confortáveis em uma fórmula original baseada na própria trajetória, The Boy Who Couldn’t Stop Dreaming é pop azeitado como há muito não se via.

NOTA: 9,0

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