INDIE É O QUE HÁ parte 1
Eles lançaram discos incontestáveis, agora precisam mostrar que sua relevância continua como grandes nomes do rock
por Paulo Floro

CLAP YOUR HANDS SAY YEAH
Some Loud Thunder
[independente, 2007]Quando apareceu, este quinteto do Brooklyn, EUA, se tornou um fenômeno de crítica e público, com um disco totalmente independente. No seu primeiro disco homônimo, o Clap Your Hands Say Yeah, abraçou uma esquisitice que destoava de grande parte do que era feito na música pop. Era difícil dizer se eles eram apenas indie-rock. O vocal de Alec Ounsworth, angustiado, desafinado e o blues anacrônico com as guitarras rock do resto da banda era o fator criativo que fez do CYHSY, então, um sucesso. O que nos traz agora a esse segundo disco é que, a ruptura não está presente. Pelo menos, não comparado ao primeiro. E seria condescendente demais não fazer tal comparação. As experimentações continuam, o que é até coerente, e é essa a principal qualidade do disco. Ele apenas não é brilhante como o primeiro, mas a crueza, as melodias desconexas, os arranjos inusitados, a instrumentação troncha, os vocais sem aprumo estão presentes. “Satan Said Dance” foi escolhido como primeiro single, e se trata de uma disco experimental, com instrumentos de sopro, piano, programações, uma bateria nervosa, mais barulhinhos. Tentaram tirar beleza da repetição e da mistura caótica e parecem ter conseguido. As melodias tristes, perfeitas para a voz de Ounsworth está sobretudo em “Goodbye to the mother and the Cove” e na bela “Yankee Go Home”. Difícil superar um obra-prima, um disco que mostra um novo rumo nesta nova década de música pop, mas corajosos, o Clap Your Hands Say Yeah manteve acesa a idéia que os fez respeitados no rock. A proposta foi defendida com louvor, é convicente. Este Some Loud Thunder não acrescenta muito às referências do grupo, mas as referências continuam intactas. No terceiro disco eles se tornam lendas.

NOTA: 7,0

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