QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA
Eddie Murphy mostra que continua atolado em comédias descartáveis com este O Grande Dave
Por Lidianne Andrade

O GRANDE DAVE
Brian Robbins
[Meet Dave, EUA, 2008]

Saudades dos tempos de boas comédias hollywoodianas, com custo baixo e boas gargalhadas. Os clássicos da sessão da tarde da TV aberta, com roteiros conhecidos do começo ao fim, mas sempre prendendo a atenção pelas caretas e piadas legais: Um Príncipe em Nova York, O Pai da Noiva, Os Picaretas… entre outros. Talvez pela cópia exibida à imprensa ter sido dublada ou o personagem principal ser o velho conhecido das sessões cinematográficas da Globo, na última sexta feira estreou um forte candidato às tardes semanais: O Grande Dave, com direção de Brian Robbins. Infelizmente, sem tanta graça quanto os exibidos diariamente.

O longa traz o comediante negro americano mais bem sucedido no elenco: Eddie Murphy no papel de um extra-terrestre Dave, um capitão enviado em missão para instalar um equipamento e roubar a água dos oceanos, garantindo assim a sobrevivência da vida em seu planeta, em risco eminente de extinção. Longe de serem verdes ou cinzas, com aparências horripilantes ou mesmo ogros, esse aliens não passam de miniaturas de terráqueos. Demorou para cair a ficha do cartaz dizendo “Eddie Murphy em Eddie Murphy em Grande Dave”. É que a nave é um Eddie Murphy gigante.

Difí­cil imaginar que um ator que – excetuando derrapadas como Vovó Zona é lembrado por comédias saudáveis e inteligentes como A Creche do Papai e Dr. Dollittle tenha caído em uma arapuca como esta. Eddie Murphy aparece com um personagem tão ridículo e piadas tão clichês que dão pena. Um gay que se descobre na terra e muda sua roupa intergalática por calças rasgadas e assume a voz fina, rappers enrustidos e um vilão de risadas maquiavélicas à la bruxa Morgana de Castelo Rá-tim-bum.

As piadas talvez passassem, se a mensagem final, como bons filmes infantis ou comédias familiares, deixasse algo inteligente e lógico: depois de experimentar do que há de mais chato no mundo como dormir na rua, ser atropelado, atravessar em meio aos carros em sinal verde, escutar rap, dançar e beber em boate cubana, Dave descobre que a humanidade vale a pena. Pode? Para Rob Greenberg e Bill Corbett, os roteiristas, pode, e acreditam que foi um final legal. Desta vez, nem a beleza de um par romântico como Elizabeth Banks (levemente constrangida de estar no elenco) ou a morena Gabrielle Union salvaram o elenco.

NOTA: 2,5

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