LOUCAS POR AMOR, VICIADAS EM DINHEIRO
Callie Khouri
[Mad Money, EUA, 2008]

Toda boa idéia que vai para telona desperta aquele velho pensamento de “por que não pensei nisso antes?”. Pode-se não gostar de Loucas Por Amor, Viciadas Em Dinheiro, mas a idéia é boa. Três funcionárias de um dos bancos mais seguros dos Estados Unidos possuem os requisitos básicos para querer assaltar um banco: precisam de dinheiro, possuem um plano e a oportunidade. Bridget Cardigan (Diane Keaton, não em uma de suas melhores atuações), é o que se pode-se chamar de “nova pobre”. Morando em um bairro de classe média, está atolada em dívidas e em busca de emprego, indo parar como serviços gerais em um banco onde conhece suas futuras parceiras: Nina (Queen Latifah) e Jack (Katie Holmes). Juntas, planejam roubar do banco as notas velhas que já iam ser queimadas mesmo. O elenco é fraco, as piadas sem sal e previsíveis, mas quando o assunto é dinheiro, vale uma espiada: três ladras sem cara de ladra que conseguem se dar bem no final. Boa alternativa para arrancar gargalhadas. [LA]

NOTA: 7,0

PERFUME – A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO
Tom Tykwer
[Das Parfum , Alemanha/ França/ Espanha, 2006]

Vindo de um meio miserável, o jovem Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw) nasceu com um dom: o olfato mais apurado do mundo. Mas como todo bom filme de serial killer, qualquer coisa é causa para matar: o cara quer fazer a melhor fragância do mundo, reproduzir na íntegra o aroma de uma mulher. A matéria prima? Suas vítimas. Até que consegue, com as dicas do boticário Giuseppe Baldini, em uma passagem rápida e desnecessária de Dustin Hoffman. Visualmente o filme impressiona: cenário de época, fotografia sépia assinada por Frank Griebe, deixando o cenário o mais macabro possível. A trilha sonora é um reforço um tanto forçada, mas as imagens valem uma espiada, pois os figurinos e cenários beiram à perfeição. Como curiosidade, o longa foi orçado em € 50 milhões (algo em torno de US$ 65 milhões), levando o marco da produção alemã mais cara da história até o momento. Muito dinheiro gasto em vão. [LA]

NOTA: 5,0

AZUL ESCURO QUASE PRETO
Daniel Sánchez Arévalo
[Azuloscurocasinegro, Espanha, 2006]

Jorge, (Quim Gutiérrez), um jovem de classe baixa é o centro das atenções. Típico filme de arrancar lágrimas nos românticos, a personagem vive dramas dignos dos mais chorosos sitcons americanos: sente-se culpado pelo derrame do seu pai e que assume seu trabalho de porteiro enquanto termina a faculdade. Tenta ajudar o irmão que está na cadeia, dando-lhe um filho com uma namorada e acaba apaixonado pela garota. O jovem ainda carrega nas costas um amor platônico por uma menina rica e moradora do prédio onde trabalha e ainda convive com as incertezas do amigo Israel que descobriu que seu pai é homossexual. Mais dramático, impossível, e ainda apimentado pelo sotaque espanhol de arrancar lágrimas nas declarações de amor. A direção e roteiro de Daniel Sánchez Arévalo mecerem aplausos pelo belo desenvolvimento dos personagens em seus dramas paralelos, com direito a violência de prisão, sem explorar o velho clichê Romeu e Julieta. [LA]

NOTA: 7,0

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