Público assiste ao primeiro dia de exibições do CINE-PE. [Foto: Agência Aurora/Divulgação]

O 12º Cine PE – Festival do Audiovisual abriu ontem à noite, no Recife, a programação com a exibição paralela de vídeos da Mostra Pernambuco. O cinema da Fundação ficou pequeno para receber o fluxo de pessoas, que superou a capacidade da sala, de 320 lugares. No público, personas cool e cânones da cena cultural recifense, como o poeta e pesquisador Jommard Muniz de Brito e o cineasta Fernando Spencer.

Alfredo Bertini, um dos organizadores do Cine PE, falou da importância de se abrir mais uma janela dentro do circuito do festival para fomentar a produção local – no caso curtas e longa-metragens pernambucanos que não foram selecionados para a competição nacional. E disse que a mostra passará a ter um caráter competitivo, cujo resultado será anunciado no mesmo dia da divulgação dos vencedores de todo país, no dia 4 de maio. O prêmio da Mostra Pernambuco será concedido através de apoio da Assembléia Legislativa do estado de Pernambuco, garantiu Bertini, se dirigindo ao público antes de iniciarem as sessões.

Com um perfil segmentado, a Mostra Pernambuco deve se legitimar como um espaço para os trabalhos de uma vertente mais experimental. Ontem, foram exibidos seis curtas, nos formatos digital e em película, que tratam de diferentes, mas que têm em comum a o interesse em pensar o contemporâneo.

É o caso de As Scismas do Destino, de Paulo Leonardo Souza, que resgata a linguagem dos filmes noir ao se debruçar sobre a poesia do paraibano Augusto dos Anjos, e Doce Salgado, de Chico Lacerda, vídeo que retrata de forma tênue o amor homossexual entre dois adolescentes imberbes.

Os melhores vídeos da noite foram Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico, de Wilson Freire, que consegue captar a urgência urbana e a poesia beat/marginal/caótica do poeta underground recifense Miró com um estilo ágil e bem recortado; e A Última Diva, vídeo universitário de autoria dos jornalistas Virgínia Carvalho, Fernando Victorino e Nelson Sampaio, que traz à tona um fato curiosíssimo – a história de Mazil Jurema, atriz que fez o último filme do Ciclo do Recife, nos anos 30 – com uma narrativa que mistura documentário e ficção. A última diva foi vencedor do concurso Cristina Tavares de Jornalismo, na categoria doc, entregue esta semana.

Solidão Pública, de Daniel Aragão, e O Triunfo, de Geórgia Alves, fecharam a primeira noite da Mostra Pernambuco no auge do experimentalismo vanguardista, no estilo “glauberiano” de câmera na mão. O primeiro mais extrovertido, filmado nas ruas do Recife; o segundo mais intimista, sobre o universo de Clarice Lispector. São mais experimentos livres que propostas em si.

A Mostra Pernambuco de curtas prossegue hoje à noite, a partir das 19h, no Cinema da Fundação (Derby), com os trabalhos Venda no Gogó, de Fábio Rocha e Nicole Vergueiro; Voltage, de Felipe Lira e William Paiva; Rezas, Curas e Mitos, de Clóvis Fazio e Avir Shamain; Igbadu: Cabaça da Criação, de Carla Lyra; e O Caso da Menina, de Tuca Siqueira. Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (meia).

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