Longa infantil Corda Bamba conquista público pelo tom singelo e fofo, mas carece de ambições artísticas

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!, no Recife

O longa em competição desta segunda (30), Corda Bamba – A História de Uma Menina Equilibrista, chegou carregado de boas intenções ao Cine PE, no Teatro Guararapes, em Olinda. Dirigido por Eduardo Goldenstein, trata da história de uma garota que perde os pais em um acidente de trabalho no circo em que trabalham e, por isso, passa a ser criada pela avó. Roteiro com tom edificante, personagens infantis. O público aplaudiu bastante o filme após a exibição, sendo, talvez, um dos mais aclamados.

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Do NE10
Corda Bamba é bastante aplaudido nesta segunda
Atriz Beatriz Goldenstein é revelação no longa Corda Bamba

Apesar de ter boas ideias estéticas – como a corda bamba do título usado diversas vezes pela personagem título – e ter um elenco bem afinado (com destaque para Silvia Aderne), o longa é um exemplar bem acabado de filme infantil, que chegaria sem alarde no circuito comercial. O problema é tentar contextualizar sua presença na competição de um festival de cinema. Todos sabemos o perfil cada vez mais mainstream do Cine PE, que prioriza longas prestes a estrear e com possibilidade de atrair público, mas Corda Bamba é raso para alcançar outros trabalhos deste ano.

A personagem principal Maria, interpretada pela novata Beatriz Goldenstein, filha do diretor, fica engessada por diálogos de pouca naturalidade. Na verdade, todos os personagens parecem apostar numa teatralidade, o que torna o filme um experimento híbrido cinema-teatro em alguns momentos. Há cenas que funcionam bem, como quando Maria tenta compreender o que aconteceu a seus pais em seu mundo imaginário. O cenário é mínimo, mas funciona bem em uma estética de sonho. De resto, é uma produção que não consegue dialogar com público adulto e infantil, como boas produções do gênero.

De resto, a película percorre um caminho óbvio para mostrar como a garota conseguiu superar a morte dos pais após bloquear sua memória para aquele momento traumático. Com tanta fofura, o filme conquistou o público mais pela empatia que criou com a atriz do que suas qualidades artísticas.

Equipe do filme Corda Bamba no palco do Cine PE (Foto: Clara Gouvêa/Divulgado)

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