Da Revista O Grito, no Recife

O Cine PE teve novas falhas técnicas prejudicando a exibição, desta vez do longa Boca, de Flávio Frederico. Já são três dias de erros em quatro dias de festival. O longa em competição deste domingo, estrelado por Daniel de Oliveira e Hermila Guedes foi interrompido por causa da troca dos rolos da projeção. De repente, todos os espectadores começaram a ver o fim da película com apenas 30 minutos de filme.

Leia Mais Cine PE
Aura de Jorge Mautner iluminou mostra de curtas
Festival lembra Cidade de Deus
Paraísos Artificiais encerra segunda noite

Após a interrupção e o acender das luzes do Teatro Guararapes, o produtor do longa, Roberto Castelar chegou ofegante para dizer que algum erro fez com que do rolo 2 do filme, a projeção passou a exibir o 5, ou seja, o final. “Ainda não sabemos como se deu essa falha na montagem, mas isso que vocês estão vendo não pode ser considerado o filme. Está incorreto”, disse ao microfone.

O diretor Flávio Figueiredo estava do lado de fora do teatro dando explicações aos espectadores sobre a falha. Ninguém da organização do festival deu informações sobre o problema, nem se teria outra exibição até às 23h15 do domingo. Com esse, já são três falhas que prejudicam bastante a imagem do Cine PE, festival conhecido no Brasil inteiro como o maior público (cerca de duas mil pessoas por noite).

No primeiro dia, curtas e o longa de Breno Silveira, À Beira do Caminho enfrentaram problemas na sonorização. No sábado, primeiro dia da Mostra Pernambuco, três dos quatro longas exibidos também apresentaram defeitos. Todas as produções que sofreram com erros técnicos ganharam novos dias de exibição, o que deve acontecer com Boca. O problema é que grande parte da programação teve de ser refeita, afetando sobretudo os filmes dos homenageados, como Xica da Silva, que ganhou o horário das 14 da terça.

Do pouco que se viu de Boca, é possível perceber uma caracterização bem feita de Daniel de Oliveira. O filme trata de Hiroito, um dos mais famosos bandidos da Boca do Lixo, em São Paulo, entre os anos 1950 e 60. Mas, foi insuficiente para criar empatia com os personagens. O jeito é aguardar a nova exibição para dar chance ao longa. [Paulo Floro]

Foto: Equipe do filme no palco do Teatro Guararapes (Foto: Clara Gouvêa/ Cine PE)

Sem mais artigos