CHEMICAL BROTHERS
We Are The Night
[Astralwerks, 2007]

Parece uma eternidade, mas fazem pouco mais de dez anos que os Chemical Brothers eram os reis da pista, o norte para qualquer DJ, seja underground ou mainstream. Hoje, soam quase desnecessários num ambiente que tem LCD Soundsystem e Klaxons. We Are The Night, o mais novo disco, aprofunda o som feito pela dupla britânica desde os anos 1990. E aí reside o problema. Sem acompanhar as mudanças de comportamento e mesmo referências, a dupla ainda está muito presa ao século passado.

Os últimos discos Come With Us e Push The Button apostavam numa lisergia rockeira e adicionou novidades ao som do grupo. Este novo registro tenta desenterrar idéias perdidas nos anos 90. Isto é notório no repertório do disco. “Der Spiegel” é uma espécie de homenagem ao Kraftwerk, lugar-comum, que soa no máximo engraçada. “Burst Generator” é outra que, com blips e blops, só mostra que a dupla não soube se atualizar e perdeu feio para a anarquia sonora do Klaxons e o house de Justice.

O Chemical Brothers sofre uma crise de notoriedade, típica de nomes aclamados, que se vêem ultrapassados por aqueles a quem influenciaram. É o temido “teste da relevância”. Curiosamente, a faixa mais interessante deste novo disco é a parceria com o Klaxons, “All Rights Reserved”, um dance-rock meio demente, com um vocal de fundo criando um clima hipnótico. Nem parece uma música do Chemical Brothers.

“We Are The Night” é a prova que Tom Rowland e Ed Simons não entenderam a new rave, o new rock, as referências apocalípticas, a moda e continuaram fazendo o seu som. Só que essa honestidade não os impediu de fazerem um disco ruim. [Paulo Floro]

Nota: 3,0

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