Foto: Divulgação.

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Chatô: 20 anos e 50 milhões de reais depois

Uma das maiores lendas do cinema brasileiro, Chatô, de Guilherme Fontes, teve o trailer divulgado nesse domingo (17). Quem postou o vídeo no YouTube foi o escritor Fernando Morais, autor de Chatô, o Rei do Brasil, cuja história serviu de base para o longa.

O filme está em produção desde a década de 1990 e conta a história de Assis Chateaubriand, jornalista e empresário fundador do Diários Associados nos anos 1920, um dos maiores conglomerados de mídia do Brasil.

Fernando Morais defendeu o filme em seu perfil no Facebook: “Tenho más notícias para os coleguinhas que urubuzaram o Guilherme Fontes nos últimos anos: o filme ‘Chatô, o rei do Brasil’, está pronto. Quem viu disse que é o máximo”, postou. “Para quem não viu, aqui vai, com exclusividade e em primeiríssima mão (com cacófato), o trailer ainda sem finalização”, publicou, junto com o vídeo.

O filme também ganhou classificação indicativa do Ministério da Justiça, de 14 anos, segundo dados publicados no Diario Oficial na última sexta (15). Isso indica que já existe ao menos uma cópia finalizada. Guilherme Fontes disse à Folha que está negociando a distribuição do filme, mas não deu detalhes sobre o lançamento.

Anos e anos

Chatô entrou para a história por conta de sua produção atabalhoada, que inclui processos na Justiça. O Superior Tribunal de Justiça analisa desde abril um processo por suposta prática de improbidade administrativa de Guilherme Fontes, por suspeita de mau uso de recursos públicos. O tribunal avalia se o diretor pode ser julgado por improbidade mesmo sem ser um agente público.

Quem moveu a ação foi o Ministério Público Federal, que alegou que a empresa de Fontes captou 51 milhões de reais em isenção fiscal aos patrocinadores para realizar o filme, que nunca foi concluído. Ele também não teria prestado contas sobre os recursos. O ator negou o mau uso do dinheiro e disse que o filme foi, sim, realizado. Esse trailer é mais uma prova de que teremos em breve o resultado final desse caso ímpar no cinema nacional.

Fontes comprou os direitos do livro de Fernando Morais em 1995. Em 1997 iniciou as filmagens, que conta com Marco Ricca como protagonista e participações de Letícia Sabatella e Gabriel Braga Nunes. Denúncias de mau uso de recursos públicos interromperam a produção em 1999. Em 2004 o diretor rodou cenas adicionais em Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina. No ano passado, o Tribunal de Conas da União condenou Fontes a devolver mais de R$ 71 milhões aos cofres públicos. O valor captado via leis de incentivo entre 1995 e 1999, foi de R$ 8,6 milhões.

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